Dois terços dos jogadores utilizados na I Liga são estrangeiros

Belenenses SAD, Sp. Braga e Sporting são os que mais utilizam jogadores portugueses, segundo estudo realizado pelo Sindicato dos Jogadores.

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Marítimo e Portimonense estão entre as equipas que utilizam mais jogadores estrangeiros LUSA/LUís FORRA

Dois terços dos jogadores utilizados na I Liga são estrangeiros e apenas três das 18 equipas do primeiro escalão utilizaram mais jogadores nacionais. Estas são as duas principais conclusões do estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Sindicato dos Jogadores (SJPF) sobre a nacionalidade dos futebolistas utilizados nas 17 jornadas da primeira volta. De acordo com a recolha feita pelo SJPF, foram utilizados 276 jogadores nos 153 jogos da primeira volta, dos quais 98 (36%) são portugueses e 178 (64%) são estrangeiros, algo que, diz o estudo, representa uma variação de 2% em relação à época de 2019-20, em que a predominância dos futebolistas estrangeiros era ligeiramente inferior (62,38%).

Não são muitas as diferenças destes números em relação a estudos de épocas anteriores, sendo que o número de jogadores utilizados cresceu por força da inclusão das cinco substituições a partir no pós-confinamento, durante a época passada, e que transitou para a presente época. O número de jogadores utilizados foi exactamente o mesmo nas primeiras voltas de 2018-19 e 19-20 (250) e com uma diferença marginal na proporção entre portugueses e estrangeiros (93-157 e 65-155). Na primeira volta da presente época, precisamente pela questão das substituições, foram utilizados mais 26 jogadores.

O estudo detalha a utilização de jogadores clube a clube e jornada a jornada, referindo que há três equipas da I Liga com predominância de jogadores nacionais: Belenenses SAD, Sp. Braga e Sporting. Em todos os outros, a média de utilização de jogadores estrangeiros é superior à utilização de jogadores nacionais, com Famalicão, Boavista e Marítimo como os que mais recorrem a futebolistas de outras nacionalidades – por coincidência, são os três últimos da I Liga à 21.ª jornada.

A recolha de dados do SJPF mostra ainda que há uma predominância dos clubes que apostam em jogadores estrangeiros jovens. Até aos 23 anos, os clubes utilizaram 63 estrangeiros e 33 nacionais, e esta diferença cresce na faixa dos 24-28 (86/36). É praticamente igual entre os jogadores com mais de 29 anos, mas ainda com uma ligeiríssima predominância de atletas estrangeiros (29/28).

Entre os clubes, é o Belenenses-SAD que apresenta uma média de utilização mais elevada de jogadores nacionais nas 17 primeiras jornadas. Teve maioria de jogadores portugueses em 16 dos 17 jogos, com esse número a variar entre os seis e os 11. Já o Sp. Braga teve mais portugueses em 10 dos seus 17 primeiros jogos, enquanto o Sporting teve cinco em 17 e cinco jornadas em que houve paridade entre portugueses e estrangeiros. Entre os restantes clubes, apenas mais quatro (Santa Clara, Rio Ave, Tondela e Paços de Ferreira) tiveram pelo menos um jogo com maioria de jogadores nacionais utilizados.

O máximo de jogadores portugueses utilizados pela mesma equipa num jogo foi de 11 (três jogos do Belenenses SAD e um do Sp. Braga), enquanto o máximo de jogadores estrangeiros utilizados aconteceu por duas vezes, num jogo do Boavista à 7.ª jornada e num do Marítimo à 17.ª. Em ambos, foram utilizados 15 jogadores estrangeiros em 16 que actuaram em cada um desses jogos.

II Liga diferente

Os números da II Liga mostram uma realidade inversa do primeiro escalão, havendo uma predominância dos jogadores portugueses. Dos 268 futebolistas utilizados na primeira volta, 55% (148) são portugueses e 45% (120) são estrangeiros, havendo aqui uma influência das equipas B, Benfica e FC Porto, que, ao contrário das equipas principais na I Liga e cumprindo o propósito de dar competição aos jovens da formação, têm uma taxa elevada de utilização de jogadores nacionais.

O Benfica B é, precisamente, a equipa que utilizou mais jogadores portugueses ​na primeira volta, com predominância em todos os jogos que disputou na I Liga, tal como Penafiel e Académica. No pólo oposto, Vizela, Casa Pia e Arouca são as três equipas que têm quase sempre maioria de jogadores estrangeiros entre os utilizados.