Festival Nos Primavera Sound adiado para 2022

É o primeiro grande festival de Verão português a anunciar que não se realizará este ano devido à incerteza causada pela pandemia. Primavera Sound Barcelona também foi adiado. Paredes de Coura, Super Rock e Sudoeste mantêm datas.

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Neneh Cherry em palco na edição de 2019 Nelson Garrido

Será mais um ano sem Nos Primavera Sound no Porto. O festival que deveria ter lugar no próximo mês de Junho fica adiado para 2022, anunciou esta terça-feira a organização. É o primeiro grande festival de Verão português a anunciar novo adiamento, numa altura em que o sector se encontra mergulhado em incerteza devido aos constrangimentos causados pela pandemia da covid-19. Os bilhetes adquiridos para as edições de 2020 e 2021 continuam válidos, mas pode ser pedida a devolução do seu valor a partir de 1 de Janeiro de 2022. 

“É com muita tristeza que comunicamos que, por motivos de força maior, a próxima edição do Festival Primavera Sound terá lugar entre 9 e 12 de Junho de 2022”, começa por dizer, no comunicado que publicou nas suas redes sociais, a organizadora Pic-Nic – que promete que “voltaremos a dançar em 2022”. O cartaz da edição de 2021 incluía Tame Impala, Pavement, Gorillaz ou Tyler the Creator; o novo alinhamento será anunciado até 5 de Junho.

A “tão dolorosa decisão”, acrescenta a organização, deve-se “às incertezas que neste momento rodeiam os grandes espectáculos” e que inviabilizam “trabalhar com normalidade na preparação do festival de modo a assegurar a sua celebração”. O anúncio do adiamento foi feito minutos depois de o Primavera Sound Barcelona ter anunciado nas redes sociais que também só voltará em 2022, sem, contudo, agendar uma nova data para aquela que seria a sua edição de 20.º aniversário.

O evento do Parque da Cidade vê assim adiada pela terceira vez consecutiva a sua realização devido à pandemia. O braço português do festival catalão Primavera Sound deveria ter-se realizado em Junho de 2020 e adiou em Março do mesmo ano as suas datas para Setembro do ano passado. Mas a covid-19 e a lei que proibia festivais até 30 de Setembro de 2020 voltaram a não permitir a realização do evento.

Numa altura em que um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Cultura discute de que modo poderão decorrer os grandes espectáculos de Verão, a organização do Primavera Sound não vê reunidas condições para que este possa realizar-se este ano. Mas o diagnóstico não parece estender-se a outros festivais de Verão portugueses. João Carvalho, que é também fundador da Pic-Nic mas que com a promotora Ritmos organiza o festival Vodafone Paredes de Coura (marcado para os dias 18, 19, 20 e 21 de Agosto), garantiu esta terça-feira ao PÚBLICO que está convicto de que “o festival [do Alto Minho] se vai fazer” e afirmou que a sua equipa está a trabalhar “como se fosse uma edição normal”, tendo já “40% do cartaz preparado”. As reuniões destes dias com bookers e agentes estrangeiros permitem o optimismo: “É oficial que mantemos toda a vontade e toda a confiança. Vamos fazer Paredes de Coura, queremos fazer Paredes de Coura”, disse ainda, detalhando apenas que a incerteza do sector reside sobretudo na disponibilidade das bandas norte-americanas.

Também Luís Montez, cuja promotora, a Música no Coração, organiza os festivais Super Bock Super Rock (15 a 17 de Julho), Sumol Summer Fest (2 e 3 de Julho) e Meo Sudoeste (3 a 7 de Agosto), não hesita: “O plano é fazer os festivais todos.” Está “cada vez mais confiante” com os dados diários que atestam a redução dos casos de infecção por covid-19 e com o plano de vacinação nacional, sugerindo a adopção dos testes rápidos para garantir a segurança do público. E Álvaro Covões, da Everything is New, que promove o Nos Alive (7 a 10 de Julho), reitera o refrão: “Continuamos a acreditar que o Verão é possível.” O promotor insiste na importância do que está a ser feito pelo grupo de trabalho para garantir pelo menos “soluções intermédias” a um sector que corre o risco de atravessar mais uns quantos meses com “quebras de 100%”.

Questionada há duas semanas pelo PÚBLICO sobre a probabilidade de haver festivais de Verão em 2021, a ministra da Cultura disse-se “optimista”, referindo as reuniões em curso com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), a Inspecção-Geral das Actividades Culturais e as organizações do sector “para definir as condições para a realização de espectáculos de música”. “Vamos fazer todos os possíveis para que no Verão existam espectáculos ao vivo”, disse Graça Fonseca, sem se comprometer com as lotações ou com as regras a aplicar.

Há dias, chegou a ser noticiado o plano de realizar eventos-teste em salas de concertos expressamente seleccionadas para o efeito, mas a DGS viria a desmentir tais notícias, dizendo que, para já, essa é apenas uma hipótese em análise.

As restrições às viagens internacionais, os ritmos da vacinação em diferentes países e as regras em permanente redefinição para eventos colectivos são algumas das principais condicionantes da realização de espectáculos nos próximos meses. Grandes festivais como Glastonbury ou o Download, no Reino Unido, já adiaram também a sua realização para o próximo ano.