Benfica teve fôlego para conter a crise

Com golos de Seferovic e Pizzi na segunda parte, os “encarnados” derrotaram no Estádio da Luz o Rio Ave, por 2-0, e somaram a segunda vitória nas últimas oito jornadas da I Liga.

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A festa dos jogadores do Benfica após um dos golos Reuters/PEDRO NUNES

O calendário tem sido apertado e o desgaste provocado pelos muitos casos de covid-19 no plantel benfiquista foi apontado por Jorge Jesus como uma das principais causas dos maus resultados da sua equipa, mas nesta segunda-feira, no Estádio da Luz, o Benfica teve fôlego para dar um pequeno pontapé na crise. Num jogo onde o Rio Ave foi mais perigoso na primeira parte, os benfiquistas reagiram bem após o intervalo e, com golos de Seferovic e Pizzi na última meia hora, somaram a segunda vitória (2-0) nas últimas oito jornadas da I Liga.

Para uma equipa que, segundo o seu treinador, atravessa “um momento difícil”, resultado de uma “crise de resultados”, a notícia que Otamendi (castigado), Darwin e Vertonghen (lesionados) estavam fora de combate não augurava nada de positivo para quem precisava de “uma vitória” e “de jogar bem”, mas os primeiros minutos do duelo entre benfiquistas e rioavistas mostraram um Benfica perigoso e competente.

Com Pizzi no banco e Everton no flanco esquerdo - Waldschmidt foi o parceiro de Seferovic na zona central do ataque -, os “encarnados” criaram a primeira oportunidade aos 8’ (Kieszek parou um remate de Seferovic) e, no minuto seguinte, um excelente remate em arco de Everton bateu com estrondo no poste vilacondense.

O Benfica estava bem e o Rio Ave parecia complexado pela posição pouco confortável na classificação, mas com muito talento do meio-campo para a frente (Geraldes, Camacho, Dala e Mané), a equipa de Vila do Conde reorganizou-se e não demorou a explorar as habituais fragilidades benfiquistas em organização defensiva.

Jogando quase sempre de forma simples e em velocidade, o Rio Ave demorou 20 minutos a chegar à baliza de Helton Leite, mas a partir da primeira ameaça do adversário (Mané obrigou o guarda-redes benfiquista a defesa apertada), o Benfica perdeu o controlo. Na jogada seguinte, aproveitando a passividade da defesa “encarnada”, Dala teve espaço para encontrar a melhor posição de remate, mas o remate do angolano acertou no poste.

Com Taarabt encarregue de organizar o jogo ofensivo - o marroquino continua a mostrar vontade, mas decide quase sempre mal ou tarde -, o Benfica não tinha a lucidez do Rio Ave na hora de atacar e, até ao intervalo, foram dos nortenhos as melhores oportunidades: sem marcação (onde estavam Taarabt e Weigl?), Geraldes obrigou Helton a brilhar; aproveitando um desentendimento entre Helton e Veríssimo, Camacho quase fez o terceiro golo em cinco jogos na I Liga.

Apesar de ter a equipa em dificuldade, Jesus manteve tudo na mesma após o intervalo, mas o Benfica regressou dos balneários muito diferente. Com Waldschimdt mais activo, os “encarnados” construíram uma mão cheia de oportunidades no primeiro quarto de hora (Grimaldo, Waldschimdt e Seferovic, ambos por duas vez), e, com fortuna, chegaram com justiça à vantagem: Aderlan deixou Seferovic sem marcação e quando tentou remediar o erro, desviou o remate do suíço impossibilitando qualquer defesa de Kieszek.

Com meia hora para jogar, os dois treinadores mexeram de imediato com uma dupla substituição (Jesus deu consistência à zona central com a entrada de Pizzi e Chiquinho; Cardoso refrescou o sector ofensivo com Guga e Anderson), mas apesar de uma tímida reacção do Rio Ave, o Benfica desta vez não fraquejou e, sem perder o fôlego, acabou com a resistência vilacondense aos 78’: Everton fez a segunda assistência e ofereceu a Pizzi o 2-0, resultado que deixa o Paços de Ferreira mais longe (quatro pontos) do Benfica e o FC Porto mais perto (três pontos).