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Silvana “rabisca” uma saída do confinamento através de desenhos da arquitectura portuguesa

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Os dias passados entre os limites das quatro paredes da sua casa começavam a pesar na vida de Silvana Sousa, de 28 anos. Precisava de fugir à realidade e, para isso, decidiu juntar as suas duas grandes paixões num projecto só. Na conta de Instagram Sil draws stuff, o património arquitectónico português junta-se às “rabiscadas” da caneta preta de Silvana, de forma a “proporcionar viagens a vários locais de Portugal e promovê-los”, conta ao P3.

Como historiadora de arte, Silvana já visitou quase todos os lugares que tem vindo a desenhar, o que também influencia a sua perspectiva sobre os mesmos. “Eu baseio os meus desenhos em fotografias, mas, por vezes, posso pôr algo que me chamou à atenção em primeiro plano, seja uma fachada ou uma estátua. Aí, os outros elementos ficam mais esbatidos”, confessa.

Apelida-os de “esboços”, o que uma visita rápida à galeria acima confirma. As linhas são, por vezes, tortas e irrealistas, mas Silvana afirma ter sempre uma preocupação com “escalas e proporções”. “Acho que é algo que dá identidade aos meus desenhos. Não gosto de representações realistas, não é o meu estilo. Eu quero que alguém olhe para o desenho e perceba que é meu.”

O projecto nasceu no início de Janeiro, antes do segundo confinamento geral começar, mas já ultrapassou a barreira dos amigos e conhecidos. A historiadora de arte tem recebido mensagens de vários cantos do país a elogiar os trabalhos e com pedidos para retratar casas de família, certos monumentos ou, até mesmo, ruas emblemáticas – o que afirma fazer com “muito gosto” e por um preço simbólico, que serve, “praticamente, para pagar o material”.

Silvana guarda duas dessas mensagens com carinho. “Diziam que a minha página as ajudava a esquecer um pouco da situação actual e, quando eu publicava alguma coisa, gostavam de ter esse bocadinho para viajar. Perguntaram-me: ‘Hoje vamos onde? Qual é o sítio que vai ser retratado?’”, conta. “Eu fiquei muito feliz ao saber que posso ajudar as pessoas a ‘escapar’ da quarentena através dos meus desenhos, tal como eles me fazem ‘escapar’ a mim.”

Texto editado por Amanda Ribeiro

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