Ilustração

“Sê activamente anti-racista”, diz um urso branco. Cataestrófica dá voz a animais para nos educar

O humor faz-nos pensar, mas será que pode alterar comportamentos? Catarina Lopes acredita que sim e, por isso, criou a Cataestrófica. Um mundo de ilustrações onde não faltam o sarcasmo, a sátira e a acidez. 

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Seres antropomórficos que criticam a sociedade através do humor e da sátira são os ingredientes de Cataestrófica, o projecto de ilustrações de Catarina Lopes. A ideia soa familiar? Poderia ter saído da série da Netflix Bojack Horseman, mas a criadora garante que não. O propósito é pessoal. A Cataestrófica nasceu em Janeiro de 2020 com o objectivo de desabafar e alterar comportamentos depois de autora ter sido alvo de uma situação de assédio num autocarro.

Cada ilustração é diferente. Tudo começa a partir de experiências privadas ou colectivas. Pode tratar o racismo utilizando um animal branco junto do espelho com a frase “Sê activamente anti-racista. Reconhece o teu privilégio”. Mostrar que os homens também choram, expor as diferenças salariais ou discutir o consumismo desenhando uma ave que diz não saber o sentido da vida se não puder ir às compras. “Tento conjugar vários elementos do tal caos, de catástrofe e depois criar uma espécie de equilíbrio ou procurar esse equilíbrio através do meu auto desenvolvimento, da minha educação e também através da prática de tentar educar ou reunir opiniões diferentes da minha ou de outras pessoas”, explica ao P3.

A paixão pelo desenho já vem desde criança. “Rabiscava qualquer superfície que fosse passível disso, desde mesas a qualquer lugar”, ri-se. Licenciou-se em Artes Plásticas e umas das suas ilustrações mais famosas, a Monstruação, inspirada no documentário O Meu Sangue. O traço de Catarina, de 31 anos, tem chegado a cada vez mais pessoas, mas classificá-la como ilustradora já é demais, considera. “Às vezes, quando me perguntam se sou ilustradora dá-me vontade de bater três vezes na mesa, porque acho mesmo que sou só ilustradora nas horas livres.” Ou, se preferirmos, “alquimista da desordem e militante do flow”.

Até agora, já fez 217 desenhos, que estão à venda (em formato digital) por três euros na plataforma Buy Me a Coffee — 30% do valor reverte para a Associação Animal. À medida que chega a mais pessoas, a artista tem a certeza de que a Cataestrófica não irá inspirar merchandising, mas não esconde que um dia gostava de ver as suas ilustrações num livro. 

Texto editado por Amanda Ribeiro

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