Quem disse que não sabes desenhar?

Um livro que convida a riscar, pintar, recortar. Sem complexos. O virtuosismo não é para aqui chamado.

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Nic e Inês
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Capa do livro “Não Sei Desenhar” Nic e Inês

Uma frase recorrente, “não sei desenhar”, é escutada por Nic e Inês durante as formações de expressão plástica que dão a crianças e adultos. “É comum a todos, mesmo a quem sabe efectivamente desenhar. Para nós, é importante realçar que todos sabem ‘desenhar’, ‘expressar’”, dizem ao PÚBLICO via email, os também autores de Em Casa, publicado em Março de 2020.

Os ex-professores Nic (Nicholas Carvalho) e Inês (Inês Almeida), formados na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, contam ainda: “No início dos confinamentos, percebemos a importância e relevância da publicação deste livro, dada a necessidade de as crianças se entreterem, criarem e fazerem algo longe do ecrã. Pensando logo em todos os nossos alunos, grandes e pequenos.”

Assim, nasceu a ideia de criar um livro de “exercícios que estimulam e desenvolvem, passo a passo, a habilidade para o desenho”. A protagonista começa por dizer que não sabe desenhar, mas depois embarca numa espécie de viagem. “Em cada página, são sugeridos exercícios e técnicas que o vão desbloqueando e fazendo ganhar confiança. No final, a personagem já se sente capaz por já ter desenhado tanto.”

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Os desafios vão desde “desenhar de olhos fechados ou utilizar materiais menos comuns” até usar “a ponta do lápis como se fosse um pincel” ou ainda “desenhar com lápis de cera branco sobre uma folha branca”. Não se vai ver nada, até que se faça uma mancha com aguarela sobre o desenho invisível. “Parece magia!” 

Uma semana para angariar 2500 euros

Para Nic e Inês, “ensinar as pessoas a desenhar e provar-lhes que toda a gente consegue fazer qualquer coisa é quase uma missão”. Por isso, no início de Junho de 2020, lançaram uma campanha de crowdfunding na plataforma portuguesa PPL, com o objectivo de financiar a publicação de mil exemplares de Não Sei Desenhar. “A meta foi fixada nos 2500 euros, que nos permitia publicar um livro de capa dura. A campanha tinha duração de dois meses e ficámos estupefactos quando atingimos o objectivo em apenas uma semana”, contam satisfeitos. E acrescentam: “Houve, inclusive, apoios de vários outros países. Como ultrapassámos largamente o objectivo, fizemos um livro com dimensão maior e melhores acabamentos do que inicialmente previsto.”

Difícil foi, depois do crowdfunding, personalizar mais de 300 exemplares com dedicatória, enviados pelo correio. “Ufa!”, concluem, divertidos. Associado ao livro, criaram também o workshop online Não Sei Desenhar (em vídeo gravado) que percorre os principais exercícios. Também o realizam presencialmente, quando for possível, nas escolas que o solicitarem. 

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Sobre as técnicas e materiais usados nas ilustrações, descrevem: “Recorremos a várias técnicas sugeridas pelos exercícios, como desenho a grafite, lápis de cor, esferográfica, aguarela, pastel de óleo, mas também à fotografia, ao recorte de revistas antigas. Há até bilhetes de cinema, fotos antigas do nosso arquivo pessoal e fotografias dos materiais e ferramentas entre si: réguas, borrachas, lápis, lápis de cera, canetas... entre outros.”

Para a composição e paginação, recorreram à manipulação digital. “O texto é todo manuscrito. Quisemos dar uma sensação de liberdade e de descontracção. Há pouca rigidez – isto é o que combatemos e queremos desfazer”, concluem.

Antes, há ainda que dizer: “Com tudo isto, reforçamos a ideia de que todos conseguem desenhar e que as artes e a criatividade não supõem um talento inato e não são para uma elite. Está ao alcance de todos. É esta a nossa missão em todo o nosso trabalho.”

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A registar ainda um elogio às livrarias independentes, onde têm o livro à venda. “São estas livrarias que compreendem este tipo de projecto, o verdadeiro amor aos livros e a singularidade desse universo.”

Agora, toca a ir buscar os lápis e os pincéis abandonados na gaveta. Quem disse que não sabes desenhar?

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