Sérgio Conceição: “Nós também estamos preocupados com os gritos”

Técnico do FC Porto fez a antecipação do “clássico” deste sábado com o Sporting e, pelo meio, falou da necessidade de haver mais tempo útil de jogo e revelou que não dá boleia ao filho Francisco para o Olival.

Foto
Sérgio Conceição, treinador do FC Porto Reuters/RAFAEL MARCHANTE

A meio da semana, Miguel Braga, da comunicação do Sporting, evocou um dado estatístico sobre o número de penáltis que já foram marcados a favor do FC Porto. Nesta sexta-feira, Sérgio Conceição foi confrontado com essas declarações com uma pergunta que incluía a expressão “cavar penáltis”, e o técnico do FC Porto respondeu com a sua própria estatística sobre as faltas ofensivas marcadas aos “dragões”.

“Na meia-final da Taça da Liga com o Sporting tivemos quatro faltas ofensivas em livres laterais e/ou frontais, porque gritaram na área, caíram, e em duas o árbitro não estava nem a olhar para os jogadores do Sporting. Se o Sporting está preocupado, nós também estamos preocupados com os gritos. Não é isto ou aquilo, há um conjunto de situações que o futebol português deve debater para que se melhore, para que sejamos mais competitivos”, disse o técnico do FC Porto a meio de um discurso em que alertava para a necessidade de haver mais tempo útil de jogo no futebol português.

“O FC Porto é forte naquilo que é a intensidade de jogo. Com as equipas que jogam contra nós, são acima de 15, 20 faltas marcadas contra nós. Não estou armado em vítima porque nós somos agressivos no jogo. O ritmo vai-se quebrando. Se calhar a melhor coisa quando a bola vem no ar é ‘Aiii” e chão. O árbitro assinala, eu chamo-lhe a falta da confusão. Com o VAR, deixa rolar e, se houver falta, marca falta ofensiva”, prosseguiu Conceição.

O “clássico” da 21.ª jornada no Dragão pode decidir muito do que será o último terço do campeonato e Sérgio Conceição admite que este é um jogo de especial importância para o FC Porto, que segue dez pontos atrás do líder Sporting. “Claramente que é um jogo em que podemos ganhar três pontos e não deixar que o nosso adversário directo os ganhe. Todos os jogos agora ganham o seu peso e a sua importância e nós assumimos o peso e a responsabilidade deste jogo”, frisou Conceição.

O treinador portista não rejeitou a ideia de que o estilo do Sporting é simples, mas acrescenta que o simples é o mais difícil de fazer: “Já disse muitas vezes que o futebol é simples, não sofrer e conseguir marcar. O Sporting é uma equipa bastante pragmática que sabe aquilo que quer. É difícil para os adversários, cria problemas, utiliza muito bem a largura e a profundidade, defende sempre com muita gente. Às vezes a simplicidade é o mais difícil de executar e de se defender, é fácil de perceber como jogam mas é difícil de contrariar.”

E a questão do calendário carregado do FC Porto ajuda a explicar a diferença para o Sporting que ficou fora da Liga Europa no início da época? Conceição diz que é apenas parte da explicação: “Não podemos fugir a isso da sobrecarga, há uma densidade competitiva acima da média. Num ou noutro pode explicar, mas nós gostamos de ter esse acumular de jogos. O Sporting saiu cedo da Liga Europa, mas isso não diminui o bom trabalho do Rúben e dos seus jogadores. Isso não pode nem deve justificar a distância para o primeiro.”

Com um dos filhos Francisco a assumir-se como um talento emergente nos “dragões”, o pai Sérgio tentou não fugir ao discurso de ele é só mais um e contou uma história que prova isso mesmo. “Ele vive na mesma casa que eu. Ele não tem carta. Vem para o treino de táxi, ou com os irmãos. Só o trouxe uma vez e, mesmo assim, deixei-o lá em cima. Se está pronto para ser titular? Quando achar que é o momento certo”, referiu Conceição, que não se quis alongar muito mais sobre o filho, apenas referindo que a única semelhança enquanto jogador com o que ele é a “atitude apaixonada”.