Bitcoins e companhia

É difícil perceber como tantas pessoas andam a tentar obter lucros com estas moedas que nem existem fisicamente, que não têm valor intrínseco e ignorando completamente os princípios de pelo menos alguma prudência.

No passado dia 21 de fevereiro, a moeda virtual bitcoin (BTC) atingiu o seu valor mais elevado de sempre: USD 58.330,57, valor completamente surreal. Desde o início deste ano o seu valor quase que duplicou.

No dia 2 de fevereiro, o preço de 1 BTC era de USD 34.618 e no dia 9 já era de USD 46.244, para depois subir para os valores apontados para o dia 21. Esta valorização superior a 30% numa semana ficou a dever-se ao facto de a Tesla ter decidido investir USD 1,5 mil milhões na moeda.

Quando Elon Musk disse publicamente que com alguns dos excedentes de tesouraria comprou bitcoins, o mercado, como muitas vezes irracional que é, reagiu em alta através do lançamento de diversas ordens de compra, levando a cotação a chegar ao referido valor de USD 58.330,57.

Claro que a euforia momentânea passou rápido e as correções em baixa surgiram logo de seguida, sendo que no momento de redação deste artigo o valor é de USD 45.900. Quem comprou 1 BTC a 58.330,37 está a sofrer perdas potenciais superiores a USD 12.000, sendo que se necessitar de vender essas perdas transformam-se em perdas reais. Mas durante o mesmo dia tudo muda.

Tal como a bitcoin, existem atualmente 4150 criptomoedas (moedas virtuais). Mas, afinal, quem é que compra criptomoedas?

Tirando as pessoas que são deliberadamente enganadas e iludidas por angariadores, uma parte destes investidores fá-lo apenas para especulação e outra por diversificação de ativos.

Uma coisa é quem compra e outra é quem pode comprar. Em primeiro lugar, só deve comprar criptomoedas quem está disposto a assumir um enorme risco e possa ter possibilidades financeiras de sofrer perdas avultadas. Por outro lado, também deve ter muita calma, pois em poucos minutos, devido à extrema volatilidade e ao preço elevado as cotações, podem variar USD 1000.

Numa altura em que até alguns bancos referiram que entraram ou entrarão nestas especulações, pode dar uma sensação de segurança e de confiança ao investidor. Nada mais errado. Qual a garantia que existe de que não ocorrerão perdas elevadas? Nenhuma. Trata-se de moedas virtuais, logo não existem. Também as autoridades monetárias não exercem qualquer controlo. São apenas movimentos especulativos em que se ganha ou se perde.

É difícil perceber como tantas pessoas andam a tentar obter lucros com estas moedas que nem existem fisicamente, que não têm valor intrínseco e ignorando completamente os princípios de pelo menos alguma prudência.

Logo a seguir à falência do Lehman Brothers, alguém inventou este esquema de especulação que batizou de bitcoin e decidiu que era uma moeda, que em minha opinião não passa de um esquema, em que alguns ganham muito e outros perdem muito ou tudo. Trata-se de uma bolha, que passados 12 anos está cada vez maior e cujo valor é aquilo que o mercado quer que seja.

As cotações das criptomoedas ou explodem e sobem exponencialmente ou implodem e valerão zero. Enquanto houver uma quantidade suficiente de compradores que permitam manter ou aumentar os valores das moedas, a bolha vai-se mantendo. Um dia, se as ordens de compra não absorverem as de venda, os preços cairão deixando os investidores com enormes perdas. E depois vão-se queixar a quem? Que seguro vão acionar? Que proteção têm? Nada. Tudo se deve a ganância e especulação.

Sendo a primeira criptomoeda a ser criada, a bitcoin é a que mais sucesso tem. Criada em 2009, em 2010 cada unidade valia USD 0,39, sim, exatamente apenas trinta e nove cêntimos do dólar.

A valorização em 12 anos foi uma autêntica loucura, assim como pode ser a sua perda de valor. Quem investir nesta autêntica “roleta russa” tem de estar preparado para tudo e perfeitamente consciente dos riscos que toma e dos pressupostos subjacentes a este negócio.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico