Em defesa da democracia

O exercício livre e independente do Jornalismo exige respeito pela sua autonomia. Os estranhos apelos à “contenção” correm o risco de se confundir com mordaça. E isso é tudo o que devemos combater.

São bem-vindas as críticas ao trabalho jornalístico, desde logo porque favorecem o questionamento necessário e o melhoramento do nosso ofício. Estamos habituados a ouvi-las, a tê-las em conta e a dar-lhes resposta. Há múltiplas instâncias de escrutínio e a todas devemos respeito. Estamos bem com a nossa consciência profissional.

Expomo-nos em permanência. Não agradamos a todos, mas fazemos por ser úteis a todos. Cometemos erros. Mas fazemos por não os repetir e por os corrigir.

Não alimentamos polémicas, sobretudo quando percebemos de onde vêm e que fins visam na circunstância, mas não podemos deixar sem resposta o ataque à RTP e aos profissionais que respondem pela Informação do serviço público de televisão.

Contribuímos todos os dias para o que todos sabem, nomeadamente sobre a pandemia. Sabemos que souberam, nomeadamente pela RTP, das preocupações dos portugueses, do litoral ao interior, nas aldeias ou nos bairros das grandes cidades, nas escolas e nas empresas, aqui e noutras paragens nos vários continentes; sabemos que souberam, também pela RTP, do esforço e dedicação dos profissionais de saúde, do modo como fazem face às dificuldades, das orientações que transmitem, dos expedientes que encontram para colocar famílias em contato, da confiança que nos transmitem; sabemos que souberam, também pela RTP, do que as autoridades públicas decidem e explicam no interesse dos portugueses; sabemos que souberam, também pela RTP, dos cuidados a ter a cada passo, das ações de sensibilização e de consciencialização para a gravidade das situações que temos enfrentado; sabemos que sabem do muito que tem sido feito na partilha de valores comuns, de informação esclarecida e útil, incluindo quando espelha situações críticas que não podem, nem devem, ser escamoteadas.

Sabemos que alguns não gostam da autonomia dos jornalistas, do incómodo das nossas perguntas. Mas continuaremos a fazer perguntas na procura de respostas que contribuam para uma sociedade mais esclarecida, liberta de paternalismos e capaz de tomar decisões.

A nossa agenda é o serviço público com que estamos comprometidos. São as regras da profissão e da honra. Repudiamos os ataques à RTP e ao bom nome dos seus profissionais, bem como a tentativa de condicionamento do nosso trabalho.

A pandemia não deve paralisar nem conter o Estado de Direito e a Democracia, como já aconteceu noutras paragens. Talvez não seja coincidência que também o Jornalismo tenha sido uma das vítimas. O exercício livre e independente do Jornalismo exige respeito pela sua autonomia. Os estranhos apelos à “contenção” correm o risco de se confundir com mordaça. E isso é tudo o que devemos combater. Em defesa da Democracia.

A Informação de Televisão da RTP prestou e continuará a prestar um serviço ao País, como é seu dever e convicção. Estamos certos de que continuaremos a merecer a confiança dos portugueses. A RTP é apontada há alguns anos, em vários estudos nacionais e internacionais, como a mais confiável em Portugal. Também por isso não permitiremos que um manifesto avulso tente manchar um património que todos os dias honramos.

António José Teixeira (director de informação da RTP-TV), Adília Godinho, Carlos Daniel, Hugo Gilberto, Joana Garcia (directores adjuntos), Luísa Bastos e Rui Romano (subdirectores). Subscreve também este texto o Conselho de Redacção da RTP-TV

Os autores escrevem segundo o novo acordo ortográfico​