Justin Timberlake na terra das segundas oportunidades

Um Justin Timberlake bastante seco sustenta Palmer, filme que depois abandona a dureza.

Um reconhecimento silencioso entre o adulto e o miúdo
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“Sou um grande fã de segundas oportunidades”, diz ainda no primeiro terço do filme o futuro patrão da personagem de Justin Timberlake, ex-presidiário em liberdade condicional. O tema das segundas oportunidades era um tropo típico do classicismo (Hawks era outro grande fã delas), mas na actualidade parece um pouco fora de moda, talvez porque o moralismo agressivo das “redes sociais” se coadune pouco com redenções reais ou figuradas. Mas Palmer (Apple TV), sustentado por um Justin Timberlake bastante seco, talvez nunca seja tão bom como quando filma a frieza do estigma deixado por erros passados — seja oficialmente, na demanda de emprego ou de responsabilidades parentais, seja oficiosamente, na desconfiança generalizada com que a rede social (sem aspas, agora) olha para um homem acabado de sair da prisão. O facto de o argumento aguentar em segredo, até já à segunda metade do filme, as razões da prisão de Timberlake, é um sinal de inteligência emocional: marca a relação do espectador com a personagem, deixa-lhe a “sombra de uma dúvida” quanto à real natureza daquele homem, e quando o episódio que o levou à condenação é desvendado, por horrível que seja, isso equivale a um alívio quase catártico.