Rebeldes hutus negam ataque na RD Congo que vitimou o embaixador italiano

Luca Attanasi foi morto na segunda-feira num ataque contra um comboio da ONU. Acusados pelas autoridades da RD Congo de estar por trás da acção armada, mas os rebeldes hutus negam qualquer envolvimento.

Foto
Os corpos de Luca Attanasio e do seu segurança a serem transportados. Aeroporto de Goma, 23 de Fevereiro de 2021. STRINGER/Reuters

Os rebeldes hutus ruandeses das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR) negaram hoje serem os autores do ataque que provocou a morte do embaixador de Itália na República Democrática do Congo (RD Congo), na segunda-feira.

Numa nota enviada à AFP, as FDLR negaram estar “envolvidas no atentado que resultou na morte do embaixador italiano e pediram às autoridades congolesas e à missão da ONU na RD Congo (Monusco) “que esclareçam as responsabilidades deste ignóbil assassínio em vez de fazerem acusações precipitadas”.

Os rebeldes ruandeses afirmam que “o comboio do embaixador foi atacado numa área chamada de ‘trois antennes’ [três antenas] perto de Goma, na fronteira com o Ruanda, não muito longe de uma posição das FARDC [Forças Armadas da RD Congo] e das (…) Forças de Defesa do Ruanda [exército ruandês]”.

“A responsabilidade deste assassínio ignóbil deve ser procurada nas fileiras desses dois exércitos”, acusaram as FDLR.

Durante a tarde de segunda-feira, o Ministério do Interior da RD Congo acusou os rebeldes hutus das FDLR de estarem por trás do ataque que matou o embaixador italiano.

O Presidente da RD Congo, Félix Tshisekedi, condenou o “ataque terrorista” à missão do Programa Alimentar Mundial (PAM) que resultou na morte de três pessoas, incluindo o embaixador italiano no país.

Numa mensagem lida na segunda-feira à noite na televisão nacional pelo seu porta-voz e citada pela AFP, o chefe de Estado congolês condenou “nos termos mais fortes possíveis este ataque terrorista”.

Tshisekedi pediu também, à semelhança do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, uma investigação para que os autores dos ataques sejam “identificados e levados à justiça”.

O executivo da RD Congo prometeu fazer “todo o possível para descobrir quem está por trás” do “vil assassínio” do embaixador italiano em Kinshasa, Luca Attanasio.

Attanasio foi morto a tiro num ataque armado contra um comboio do PAM, durante uma visita perto de Goma, no leste da RD Congo, segundo fontes diplomáticas. O embaixador , colocado em Kinshada desde o início de 2018, foi “alvejado no abdómen” e “resgatado pelos guardas do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN)” no Virunga Park, segundo as autoridades congolesas.

Além do embaixador, duas outras pessoas morreram no ataque: o condutor congolês do PAM e o guarda-costas italiano do embaixador, segundo fontes congolesas e italianas citadas pela AFP.

No mesmo ataque, quatro pessoas foram raptadas, tendo uma sido encontrada por soldados congoleses, segundo o Ministério do Interior da RD Congo.

O ataque ao comboio do PAM teve lugar a norte de Goma, a capital da província do Kivu Norte, que há mais de 25 anos é flagelada pela violência de grupos armados.