Inquéritos epidemiológicos em atraso são menos de mil, diz Direcção-Geral da Saúde

A realização destes inquéritos é essencial para o controlo de cadeias de contágio, assim como para cumprir a estratégia de testagem à covid-19.

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Militares do Exército têm reforçado as equipas de saúde pública na realização de inquéritos epidemiológicos Rui Gaudencio

Os inquéritos epidemiológicos em atraso são já menos de mil, quando em Janeiro chegaram a ser mais de 50 mil. A realização destes inquéritos é essencial para o controlo de cadeias de contágio, assim como para cumprir a estratégia de testagem à covid-19 implementada pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). A recente revisão destas regras determinou que sejam feitos testes de detecção do vírus também aos contactos de baixo risco de doentes positivos.

“De acordo com os dados reportados pela rede das autoridades de saúde, no dia 16 de Fevereiro existiam 999 inquéritos epidemiológicos por finalizar no país”, respondeu a DGS ao PÚBLICO. Uma diminuição considerável, se se tiver em conta que na semana anterior (dados de dia 11 de Fevereiro) os inquéritos epidemiológicos em atraso eram 4244, segundo informação também fornecida pela directora-geral da Saúde numa entrevista ao PÚBLICO.

Graça Freitas explicou que houve “uma grande pressão” sobre as equipas de rastreadores “principalmente durante o mês de Janeiro, dado o elevado número de casos [positivos] que se verificou” e que levou ao reforço das equipas de saúde pública, incluindo o apoio de militares. Os rastreadores são, de acordo com os últimos números conhecidos, 1121.

Na última Comissão Parlamentar de Saúde (dia 10 de Fevereiro), o secretário de Estado adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, deu conta da recuperação: “Foi possível reduzir, em duas semanas, de 56 mil para 4000 os inquéritos pendentes.”

Questionada sobre a operacionalização da nova estratégia de testagem, a DGS disse que “está a ser delineada pelo Ministério da Saúde e outras áreas governativas”. A nova estratégia definiu a realização de testes a todos os contactos de um caso positivo, assim como rastreios periódicos a doentes internados nos hospitais, em escolas (alunos do secundário), lares e empresas com maior risco de infecção por implicarem a presença de trabalhadores.

Tal como o PÚBLICO noticiou no último sábado, as novas regras que implicam a testagem dos contactos de baixo risco de doentes positivos entrarão em vigor nesta terça-feira. Apesar da primeira actualização, que introduziu esta alteração – anteriormente, a realização de teste era apenas dada aos contactos de alto risco –, ter entrado em vigor há mais de uma semana, uma nova actualização foi feita na sexta-feira passada. Esta última entra em vigor nesta terça-feira.