Oposição diz que Portugal não está a testar como devia

Os partidos criticaram a diminuição do número de testes depois de promessas de uma testagem maciça da população durante esta e a próxima fase do confinamento. Da esquerda à direita, os partidos queixam-se ainda da escassez de informação em torno dos critérios que devem ditar o levantamento de restrições (que ainda não começou a ser preparado).

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A reunião desta segunda-feira decorreu à distância LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Com poucas respostas e ainda menos testes do que o desejável. Foi com estas duas críticas que os partidos da oposição saíram da reunião do Infarmed desta segunda-feira, lamentando a falta de planeamento do Governo em relação ao desconfinamento e sendo unânimes na preocupação em torno do baixo número de testes que está a ser realizado (depois de promessas de reforço do rastreamento de casos covid-19 que só devem arrancar esta semana). Da esquerda à direita, todos os partidos apelaram ao planeamento urgente para o período pós-confinamento, mas foram o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal os que mais lamentaram que os peritos ainda não tenham apresentado “critérios” para a próxima fase (como estava previsto)E enquanto o PCP e o CDS olham para as escolas, o PAN defende que o regresso da actividade deve começar pelos pequenos comerciantes, que mais estão a sofrer com o impacto da crise.

Pelo PSD, o dirigente Maló de Abreu pediu critérios “muito claros”, vincando que esse tinha sido o compromisso assumido pelos especialistas na anterior reunião. O social-democrata notou que este planeamento tem falhado “em muitas circunstâncias e não pode falhar novamente”. Além disso, o social-democrata defende que o planeamento deve ser feito com antecedência “para que os portugueses saibam com tempo o que se vai passar nas suas vidas” e pediu uma “reversão" na tendência do número de testes.

Apesar de o reforço dos testes já ter sido repetidamente apontado como vital, em vez de estarmos "à frente do vírus”, continuamos “sempre atrás dele”, distinguiu o deputado Moisés Ferreira, insistindo num “investimento muito grande nas equipas de saúde pública, com mais recursos humanos, para aumentar a capacidade de rastreamento do país”. Para o Bloco, este desinvestimento é sinal de uma tentativa de “poupança orçamental à custa da crise”.

Também o PEV lembrou que o reforço do Serviço Nacional de Saúde é um compromisso “estabelecido no Orçamento do Estado” deste ano, a que é preciso “dar cumprimento”.

Do lado do PCP, a mensagem é a de que o confinamento não resolveu “os problemas fundamentais” e ainda acrescentou outros. Os comunistas voltaram a defender o regresso das aulas presenciais com a maior brevidade possível” e insistiram no reforço da protecção e da segurança para que todas as actividades possam ser reabertas.

O CDS também está com os olhos postos na reabertura das escolas e diz que será “muito importante” que no próximo estado de emergência o país avance no “desconfinamento da educação, sobretudo nos alunos até aos 12 anos”, de forma a “libertar os pais que ficam sobrecarregados com o teletrabalho e o acompanhamento dos filhos”.

Já para o PAN, a prioridade no desconfinamento deverá estar “na actividade que afecta os pequenos comerciantes e os pequenos serviços”, que estão a ser muito afectados pelas medidas de restrição. Apesar de nos últimos dias a reabertura das escolas ter sido apontada como uma das primeiras actividades a reabrir portas no desconfinamento, a deputada notou que essa decisão representará um aumento “elevado” da mobilidade.

A voz mais pessimista chegou com João Cotrim de Figueiredo. O líder da Iniciativa Liberal considera inevitável que o próximo desconfinamento tenha o mesmo resultado que o anterior e que haja um novo aumento de casos. “Não há uma alteração estratégica que nos permita encarar [o futuro] com maior optimismo”, avisa. 

Pelo Chega, André Ventura acusou o executivo de estar “a ziguezaguear” enquanto “o Presidente da República está hesitante no que deve fazer e ninguém quer assumir responsabilidades, e o país continua completamente parado”.