No Senegal, há um jóquei de 19 anos que corre para a fama mundial

Fallou Diop é o nome do jóquei senegalês de 19 anos que quer ser o melhor do mundo: “Na hora da corrida, só consigo pensar na vitória.”

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Reuters/ZOHRA BENSEMRA
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É com a cabeça mais baixa que a dos seus pares que Fallou Diop desaparece, rapidamente, por entre a multidão de jóqueis que se preparam para iniciar os treinos matinais na vila senegalesa de Niaga.

Mas é quando a corrida começa que a silhueta agachada do jovem de 19 anos começa a ver-se cada vez mais longe no campo, auxiliada por um estilo de condução sem esforço. "Quando começo a montar a cavalo fico um pouco nervoso, mas depois de algum tempo isso passa”, conta Diop à agência de notícias Reuters. “Na hora da corrida, só consigo pensar na vitória.”

Os cavalos são parte integrante da vida no Senegal. As charretes puxadas por aqueles animais são um tanto omnipresentes por todo o país e, nos últimos 50 anos, as corridas competitivas acabaram mesmo por se tornar num passatempo nacional.

ZOHRA BENSEMRA/Reuters
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Os cavalos são uma paixão de família

“Desde o meu avô, e o meu pai depois dele, que nós lidamos com cavalos. É uma paixão na minha família”, confessa Diop.

Nas aldeias como Niaga, onde vive Diop, as lojas de alimentos e suplementos para cavalos preenchem as laterais das principais estradas e os campos costumam também estar repletos por homens montados a cavalo.

Situada numa das ruas mais movimentadas da localidade e adornada com azulejos coloridos de cerâmica, a casa que Diop divide com 12 familiares começa agora a ganhar um telhado novo graças ao dinheiro que o jovem arrecadou com as suas vitórias nas corridas.

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Prémios por corrida podem ir até aos 500 euros 

Dependendo do número de cavalos em competição, Diop pode ganhar até 600 dólares (quase 500 euros) por vitória. Em 2019, estimava-se que o salário médio mensal no Senegal seria de cerca de 180 dólares (quase 150 euros).

O pai de Diop, que passou quase toda a vida a montar a cavalo e a conduzir uma carroça por Niaga, não esconde o orgulho que tem nas conquistas do filho. Também o irmão mais velho, que aspirava ser jóquei antes de sofrer um surto de crescimento que o impediu de realizar o sonho, se orgulha das vitórias do jovem.

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“Desde pequenos que os mais velhos nos ensinaram tudo e foi assim que me apaixonei por cavalos”, explica o jóquei. Fallou Diop abandonou o ensino tradicional e tinha 12 anos quando deixou um trabalho como aprendiz de alfaiate para perseguir o sonho das corridas. De acordo com o pai, o rapaz estava tão determinado que, na altura, caminhou 16 quilómetros para se inscrever no programa de treino mais próximo.

Uma viagem para França na mira

Actualmente, Diop e outros jóqueis em Niaga são ensinados por Adama Bao, cuja família mantém uma quinta de criação perto das margens salgadas de Lac Rose no Senegal há já três gerações. 

“[O Diop] é muito talentoso”, notou o professor. “Com o peso e tamanho dele, poderia competir durante 50 anos.”

Bao está a planear enviar Diop para França por três meses no início de 2022 para competir por um criador franco-senegalês. Se não fosse pela pandemia de covid-19, o jovem já teria feito a viagem em 2020. 

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Numa tarde recente de domingo, as competências de Diop foram postas à prova na pista de corrida de Thiès, a terceira maior cidade do Senegal. Vestido em tons vibrantes de amarelo e azul, Diop montou calmamente o corcel e o foi em direcção à pista.

O jovem jóquei terminou em primeiro lugar em três das cinco corridas em que participou naquele dia, levando para casa quase mil dólares (aproximadamente 830 euros). “Quero ser o melhor jóquei num país que não seja o meu”, sustentou. “Em Marrocos ou em França, em qualquer lugar existem corridas de cavalos.”

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