Arquitectura

Este edifício flutuante tem um segredo para combater a poluição dos oceanos

A arquitecta eslovaca Lenka Petráková venceu o Grande Prémio de Arquitectura e Inovação para o Mar, concurso anual da Jacques Rougerie Foundation,​ com uma ideia de uma estação flutuante, de estilo futurista, para remover e reciclar o plástico no oceano.

Lenka Petráková
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Todos os anos chegam aos oceanos entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas de plástico, segundo dados do Parlamento Europeu de 2018. A arquitecta Lenka Petráková, atenta ao tema da poluição e conservação do oceano, desenhou o protótipo de uma estação flutuante, de estilo futurista, que recolhe o lixo da superfície da água e o transforma em material reciclável.

A estação, que poderia servir como como centro de investigação ambiental e de conservação da vida marinha, valeu no início deste ano à eslovaca o Grande Prémio de Arquitectura e Inovação para o Mar de 2020, num concurso internacional de arquitectura. Promovido pela Jacques Rougerie Foundation, do Instituto de França, a iniciativa anual apoia o desenvolvimento de projectos de arquitectura “visionários” e “biomiméticos” que apresentem soluções criativas para desafios ambientais.

No desenho da arquitecta, três edifícios de vidro em forma de pétala emergem de uma base em espiral, como uma hélice – chamada A Barreira –, que gera energia a partir das marés, e onde são recolhidos os resíduos que flutuam no mar para depois serem estudados e transformados. Tanto a urgência de limpeza do oceano, como a necessidade de reunir condições para o avanço da investigação sobre o tema, levaram Petráková a elaborar este conceito no âmbito da sua tese de mestrado, a que chamou 8th Continent, ou Oitavo Continente.

“Hoje, extensas superfícies cobertas de plástico nos oceanos equivalem ao tamanho de um continente”, explica a arquitecta eslovaca, citada pelo ArchDaily. “A que está a crescer no Oceano Pacífico é chamada o Oitavo Continente. Durante demasiado tempo, vivemos na ilusão de que não iríamos danificar o oceano com as nossas acções em terra. Deixámos centenas de espécies à beira da extinção.” A grande ilha de lixo do Pacífico, como é também designada, ocupava, em 2018, uma área estimada de 1,6 milhões de metros quadrados no norte do oceano 17 vezes o tamanho de Portugal continental, dos Açores e da Madeira, segundo a organização The Ocean Cleanup.

Para já, tudo não passa de uma ideia, mas a realizar-se o edifício de Petráková, arquitecta no gabinete de Zaha Hadid, também incluirá espaços de habitação para os investigadores no centro e uma estufa de cultivo hidropónico, uma técnica de cultivo em que não é utilizada terra, apenas água.

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