Em “dia de júbilo” na Cartuxa de Caxias, Isaltino deu um sermão em nome das autarquias

Antigo mosteiro em Caxias vai ser transformado em centro de arte contemporânea. O autarca de Oeiras aproveitou a presença de uma ministra para dizer que as câmaras são capazes de gerir o património do Estado.

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Isaltino Morais guiou Francisca Van Dunem pelo antigo convento abandonado Rui Gaudêncio
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O protocolo passa a gestão do imóvel para a câmara por 42 anos Rui Gaudêncio
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O antigo convento está muito degradado Rui Gaudêncio
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A igreja abre-se semanalmente para a missa Rui Gaudêncio
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Jorge Barreto Xavier, à esquerda, é o comissário de Oeiras 2027 Rui Gaudêncio
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Há vários edifícios no complexo, que será transformado em pólo cultural Rui Gaudêncio
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Os imóveis encontram-se vandalizados e cheios de lixo Rui Gaudêncio
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Os imóveis encontram-se vandalizados e cheios de lixo Rui Gaudêncio
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Os imóveis encontram-se vandalizados e cheios de lixo Rui Gaudêncio
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Os imóveis encontram-se vandalizados e cheios de lixo Rui Gaudêncio

Isaltino Morais avança por um corredor escuro como breu acompanhado pela ministra da Justiça, um secretário de Estado e vários directores-gerais. Acendem-se lanternas de telemóveis à sua volta, como pirilampos, que permitem descortinar o que os pés pisam: portas velhas, azulejos partidos, restos de livros e de estantes, canos antigos, lixo variado.

O passeio pouco higiénico talvez seja uma penitência que o autarca de Oeiras impõe aos representantes do Estado central, o mesmo que, segundo Isaltino, deixou a Cartuxa de Caxias chegar ao actual estado de degradação e não parecia muito interessado em revertê-la. “Houve administrações na área das Finanças que não faziam nem deixavam fazer”, criticou.

Apontando esta quarta-feira como “um dia de júbilo”, porque a Câmara de Oeiras já tem oficialmente as chaves do antigo mosteiro e da quinta, e elogiando Francisca Van Dunem por ter tomado este “acto político de extrema relevância”, Isaltino subiu ao púlpito da igreja para um sermão. “Não é admissível que este património tenha estado aqui abandonado durante 30 anos”, atirou.

O acordo agora assinado entre a câmara, a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça prevê a transferência dos 12,4 hectares da antiga Cartuxa para o município por um período de 42 anos.

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Rui Gaudêncio

“Porque é que não é sem prazo?”, insurgiu-se Isaltino. “Isto diz muito da organização do Estado. Ainda há alguma desconfiança do Estado central em relação ao Estado local”, respondeu-se, discorrendo depois sobre a necessidade de pensar a tão afamada reforma do Estado e sobre a descentralização. “O Ministério das Finanças ainda não se democratizou, ainda funciona muito à moda do dr. Salazar”, chegou a declarar.

A ministra, que tomou a palavra a seguir ao autarca, fez uma intervenção mais enciclopédica, lembrando que o mosteiro ficou abandonado a seguir à expulsão das ordens religiosas, em 1834, e que durante o século XX foi sobretudo usado como reformatório, onde se promoveu “uma revolução educativa” que deixou marcas no sistema penal português.

“O processo agora selado é exemplar da coordenação virtuosa entre o poder central e local”, disse Francisca Van Dunem, delimitando as responsabilidades futuras: “Fica nas mãos da autarquia a que V. Exa. preside este lugar, que foi e é um lugar de culto, de revolução educativa, de cultura. Que a Câmara de Oeiras cultive e desenvolva este espaço como o espaço merece.”

E o que o espaço merece, no entender da autarquia, é que seja um centro de arte contemporânea. A pensar na candidatura de Oeiras a Capital Europeia da Cultura 2027, o antigo mosteiro e as muitas dependências construídas ao longo dos anos servirão de casa a uma companhia de dança, terão auditórios e espaços multiusos, servirão para residências artísticas, exposições e espectáculos.

Os primeiros trabalhos têm um orçamento a rondar os 7,5 milhões de euros e destinam-se a recuperar o património edificado, quer a igreja setecentista desenhada por Carlos Mardel, quer as antigas celas e os dois claustros. Segue-se depois a sua transformação em pólo cultural, o que deverá ocorrer no prazo de quatro anos.

Notícia corrigida a 18/2: O título foi alterado e retiraram-se do texto as menções a convento, uma vez que a Cartuxa era um mosteiro