Equador vai recontar seis milhões de votos das eleições presidenciais

O segundo e o terceiro classificados na primeira volta estão separados por 33 mil votos. O candidato mais votado, Andrés Arauz, vai ter de esperar mais uns dias para saber se enfrenta, a 11 de Abril, um ex-banqueiro ou um ecologista e líder indígena.

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Apoiantes de Guillermo Lasso e Yaku Pérez juntaram-se ao pé da sede do Conselho Nacional Eleitoral Reuters/STRINGER

Os equatorianos vão ter de esperar mais algum tempo para saberem quem será o candidato presidencial que disputará a segunda volta das eleições contra Andrés Arauz no dia 11 de Abril, enquanto o Conselho Nacional Eleitoral procede a uma recontagem de seis milhões de votos.

Uma semana depois do sufrágio no Equador, e com a quase totalidade dos votos contabilizados, a vantagem entre o segundo e o terceiro candidatos é escassa. Depois de denúncias de fraude por parte do líder do partido indígena Pachakutik, Yaku Pérezas autoridades eleitorais decidiram recontar mais de metade dos quase 10,6 milhões de votos expressos nas urnas.

A forma e a dimensão das mesas que vão ser alvo de nova contabilização de votos foram acordadas numa negociação de horas entre o CNE e os candidatos Guillermo Lasso, conservador (19,74%), e Pérez (19,38%), com uma diferença de apenas 33.290 votos.

Pérez entregou às autoridades eleitorais o que diz serem provas de fraude e queria que fossem recontados todos os votos. Lasso pretendia apenas uma recontagem em Guayaquil, a maior cidade do país. Foram precisas muitas horas até que os dois candidatos aceitassem a fórmula agora anunciada.

O anúncio foi feito pela presidente do CNE, Diana Atamaint, que explicou que serão revistos 100% dos votos na província de Guayas e 50% dos votos em 15 outras províncias, ficando oito províncias fora deste plano.

“Todo o processo de revisão será transmitido ao vivo pelos canais do CNE de maneira contínua”, disse a responsável, citada pelo diário El Comercio, e deverá demorar duas semanas.

Andrés Arauz, o delfim do ex-presidente Rafael Correa (que foi condenado a oito anos de prisão por corrupção e actualmente vive na Bélgica), terá, assim, de esperar mais um pouco para saber que adversário irá enfrentar na segunda volta, se um ex-banqueiro que concorre pela terceira vez à presidência (Lasso), se um ecologista e líder indígena que foi governador da província de Azuay, no sul do país.