Forte sismo no Japão deixou quase um milhão de casas às escuras

Um tremor de terra de magnitude 7,3 na escala de Richter atingiu este sábado a zona de Fukushima, onde há uma década um forte sismo provocou um desastre nuclear. Não houve alerta de tsunami desta vez e pelo menos 150 pessoas ficaram feridas.

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Um sismo de 7,3 de magnitude na escala de Richter com epicentro na costa de Fukujima provocou um enorme apagão no Japão, sobretudo em Tóquio, havendo a notícia de pelo menos 150 feridos, de acordo com a estação de televisão japonesa NHK, citando fontes dos bombeiros. A zona é a mesma onde em 2011 um sismo de forte intensidade seguido de um tsunami matou milhares de pessoas e provocou um desastre nuclear. O sismo foi registado às 23h07 (14h07 em Portugal continental).

As autoridades não emitiram qualquer alerta de tsunami para a zona nordeste do Japão e até agora só há relatos de vários incêndios em Fukushima e Miyagi e mais de 150 feridos. No entanto, o abalo afectou várias centrais de produção de energia eléctrica o que provocou um apagão que deixou 950 mil casas sem energia em todo o país, tendo a capital, Tóquio, sido a cidade mais afectada com 830 mil lares deixados sem acesso a energia eléctrica, de acordo com o porta-voz do Governo, Katsunobu Kato.

De acordo com a agência japonesa Kyodo News, nenhuma anormalidade foi detectada nos reactores Tokai n.º 1 e Tokai n.º 2 da central nuclear de Tokai, que se desligou automaticamente em 2011 (e mais tarde não superou os testes de pressão ordenados pelo Governo japonês). A central nuclear de Kahiwazaki-Kariwa também não sofreu danos, de acordo com a Tokyo Electric Power Co.

Também a central de Fukushima I, onde aconteceu o desastre nuclear de 2011 (da mesma grandeza da explosão da central nuclear de Tchernobyl), não foi afectada por este sismo.

A empresa garantiu que não houve alteração nos níveis de radiação ao redor das suas centrais nucleares, de acordo com o site em inglês do Asahi Shimbum.

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O Governo japonês criou um gabinete de emergência para acompanhar a situação no gabinete do primeiro-ministro, Yoshihide Suga.

Segundo a Agência Meteorológica Japonesa, o sismo teve o seu epicentro a cerca de 55 km abaixo do solo ao largo da costa de Fukushima, atingindo um grau de intensidade 6 na escala sísmica japonesa que vai até 7. O sismo foi sentido em Tóquio, 220 km a sul, onde a agência registou o sismo como um 4 na escala japonesa.

É classificado pela agência como o maior a atingir a região desde a réplica de 7 de Abril de 2011 do grande abalo sísmico de 11 de Março.

Vários residentes das zonas de Fukushima e Miyagi tiveram de ser atendidos nos hospitais, mas não há qualquer relato de feridos graves, tal como foi confirmado de manhã, em Tóquio, pelo primeiro-ministro, Yoshihide Suga. De acordo com a imprensa japonesa, alguns habitantes das zonas mais afectadas chegaram a ser levados para abrigos.

“Mesmo que as pessoas digam que não precisamos de nos preocupar com o tsunami, eu não acredito”, dizia um trabalhador de 50 anos à Kyodo News. “Aprendi com a amarga experiência de há dez anos e é por isso que fomos retirados”,

Os cortes de energia foram sentidos em zonas da prefeitura de Fukushima, Miyagi, Iwate e Tochigi, sendo que a Tokyo Electric Power Company Holdings informou que haverá certas zonas com apagões até domingo de manhã. Embora uma fonte do governo tenha dito ao Japan Times, que na região de Tohuku, no nordeste do país, seriam preciso mais tempo para conseguir resolver os problemas e restituir o serviço.

“O abalo inicial foi mais forte que aquele que senti no Grande Tremor de Terra Japonês do Leste [em 2011]”, disse à Kyodo News Tomoko Kobayashi, de 68 anos, que trabalha num ryokan, pensão tradicional japonesa, em Minamisoma, onde os abalos horizontais se sentiram durante alguns minutos, deitando pratos e comida pelo chão.

O porta-voz do Governo afirmou aos jornalistas, já na manhã de domingo na capital japonesa, que se podem sentir réplicas com intensidade 6 na escala japonesa durante pelo menos uma semana.

Como o sismo de 2011 “foi enorme com uma magnitude de 9,0, não é surpreendente que haja réplicas desta dimensão dez anos depois”, disse ao Japan Times o professor Kenji Satake, do Instituto de Investigação de Sismos da Universidade de Tóquio.