Marcelino da Mata (1940-2021): o último cruzado do império!

Se tivesse sido um cobarde, um mero fugitivo traidor à Pátria, tivesse roubado um avião, navio ou banco tinha feito aberturas de telejornais e capas de jornais. Como não esteve neste grupo, está a ser lembrado pelos Portugueses comuns e ex-combatentes nacionais.

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Marcelino da Mata DR

O senhor tenente-coronel Marcelino da Mata faleceu no dia 11 de Fevereiro de 2021, festividade de Nossa Senhora de Lourdes. Segundo os médicos, morreu vítima de covid-19, nesta data em que se assinalou o Dia Mundial do Doente.

Paz à sua alma!

Marcelino tinha 80 anos. Nasceu em Ponte Nova, na Guiné-Bissau. Foi um dos fundadores das tropas de Operações Especiais, no Regimento dos Comandos Português, dos Comandos Africanos, actuando no cenário de guerra da Guiné, participando em numerosas operações militares, de que se destacam as levadas a efeito no Senegal e na Guiné-Conacri.

Para muitos, Marcelino da Mata foi um verdadeiro Homem e Herói que sempre acreditou em Portugal. Um Portugal do Minho a Timor!

Marcelino da Mata personifica, para muitos Portugueses, o verdadeiro espírito da Portugalidade, servindo como modelo de Herói nacional dos nossos tempos, mas também como a representação de um Portugal Imperial que já não existe. Durante muitos anos, teve de arrumar carros para sobreviver e aguardou décadas até que lhe fizessem a justiça que veio envergonhada num despacho de secretaria.

Marcelino da Mata foi o mais condecorado militar da História do Exército! Participou, activamente, em mais de 2400 operações de combate em terras da Guiné. Herói da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito (1969), com Medalha de Cruz de Guerra de 2.ª classe (1966), Medalha de Cruz de Guerra de 1.ª classe (1967), duas Medalhas de Cruz de Guerra de 1.ª classe (1971 e 1973) e outra Medalha de Cruz de Guerra de 3.ª classe (1973).

Tomou parte na Operação Mar Verde (invasão da Guiné-Conacri).

Quando se deu o golpe militar do 25 de Abril de 1974, Marcelino acabou torturado e flagelado às mãos da esquerda, “herdeira” do golpe, no RALIS, em Maio de 1975.

Esteve preso no Forte de Caxias, sem culpa formada, durante cinco meses por suspeita (infundada) de ser um operacional do então Exército de Libertação de Portugal (ELP).

Quando se viu livre das “masmorras democráticas”, exilou-se nos arredores de Madrid para só regressar a Portugal em 1976.

Foi um dos mais ilustres soldados de Portugal!

Agora, em 2021, no dia da sua morte, e aos defensores da sua memória, alguns teimam em chamar-lhes racistas “cheganos”.

Se tivesse sido um cobarde, um mero fugitivo traidor à Pátria, tivesse roubado um avião, navio ou banco tinha feito aberturas de telejornais e capas de jornais. Como não esteve neste grupo, está a ser lembrado pelos Portugueses comuns e ex-combatentes nacionais.

Neste momento, ainda não sabemos o que a Pátria, sempre ingrata, reservará à preservação da sua memória. Alguns já apontam a sua consagração no Panteão. Contudo, o seu nome e feitos há muito que fazem parte da História e da memória das nossas gentes.

E a História, essa, não engana... Não engana e é danada... pelo menos para alguns.

Viva Portugal!