Como enfrentar esta pandemia? Unidos ou desunidos?

Exibir apenas as desgraças como se não houvesse resultados neste combate é confundir o papel da oposição. E quando os media, sobretudo as televisões, contribuem para este panorama estão a envenenar a sua futura relação de credibilidade com a cidadania.

A pandemia que enfrentamos criou uma situação inesperada, rara, catastrófica que requer a conjugação de esforços de toda a comunidade para a tentar superar. A experiência é clara – o envolvimento da comunidade é decisivo.

É verdade que a pandemia não é totalmente neutra em termos sociais, pois ataca, em primeiro lugar, os que vivem em condições mais frágeis, ou seja, os mais pobres. No entanto, a pandemia, preferindo os bairros populosos onde se concentra a vida pobre dos deserdados, chega a todas as classes e camadas. É um problema global que exige uma resposta global de toda a sociedade.

Uma pandemia não deve ser arma de arremesso de partidos, organizações sindicais, patronais e forças políticas e atores sociais e até dos “media” para tirar partido das dificuldades. Erros mais menos graves implicam crítica mais ou menos severa, aliás sem essa crítica não haveria linhas de correção governamentais que deviam ser bem acolhidas.

Os partidos não têm como destino apoiar os erros do Governo, mas não podem agir como se as condições que existem fossem outras e não aquelas que desde o início da pandemia existem, devendo ganhar as populações para a bondade das suas alternativas. Trabalhar e convencer que há outros caminhos concretos, criando condições no Parlamento para que essas alternativas sejam acolhidas para bem da comunidade.

Espanta pensar no facilitismo com que é atacado o confinamento quando após a sua vigência se verifica a queda contínua das transmissões. Como se podia quebrar o ciclo das transmissões sem confinamento? Nem sequer é contraditório com outras medidas necessárias em termos de recrutamentos de recursos humanos para várias áreas do SNS.

Neste âmbito, os telejornais dos diversos canais parecem todos afinados pelo mesmo diapasão. É posto o acento tónico em tudo o que é anormal – vacinas e os casos de puro oportunismo na sua administração, como se fosse possível o bicho humano comportar-se em todas as situações como devia. Por isso há códigos que previnem e punem comportamentos.

Depois são as permanentes notícias sobre a situação nos hospitais, não referindo que há milhares de médicos, enfermeiros e técnicos a defender vidas e a conseguir salvar a maioria delas; como se a imensidão da pandemia estivesse à mão de qualquer decisão milagrosa. Como se existisse apenas avanços da desgraça e não houvesse mulheres e homens capazes e corajosos a salvar os compatriotas.

Para todo este envolvimento passar mais temperado transformam-se políticos, “opinadores”, em verdadeiros cientistas que nos dizem o que está a falhar (sempre o que está a falhar), mesmo quando a perceção que salta é a de que há coisas que podiam estar melhor, mas há melhoras visíveis.

Exibir apenas as desgraças como se não houvesse resultados neste combate é confundir o papel da oposição, pois está também convocada a contribuir para a defesa da comunidade ameaçada pelo vírus com as suas propostas.

Quando os “media”, sobretudo as televisões, contribuem para este panorama estão a envenenar a sua futura relação de credibilidade com a cidadania.

A pandemia deve ser enfrentada por todos, cada qual com as suas propostas, mas certamente que há um ponto em que só em convergência poderemos atacar o vírus e impedir a sua propagação. É disso que se trata. Um país ameaçado por um vírus implica um país e um povo unidos contra o vírus. Basta ver o que se está a passar pela Europa e pelo mundo fora. A maior coesão permite a melhor solução. Não precisamos de deixar de ter as nossas ideias para nos unirmos contra o vírus.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico