Aos 87 anos, Michel Corboz cessa funções como maestro titular do Coro Gulbenkian

Suíço dirige a formação desde há mais de meio século e manter-se-á ligado a ela como maestro honorário. “Conseguiu transformar o Coro Gulbenkian num instrumento perfeito”, diz a presidente da fundação, Isabel Mota.

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O maestro Michel Corboz Nuno Ferreira Santos

O suíço Michel Corboz, que no próximo domingo, dia 14, completa 87 anos, vai passar a ser o maestro honorário do Coro Gulbenkian, formação a que está ligado há já mais de meio século, desde 1969. “O maestro informou a Fundação Calouste Gulbenkian da sua decisão de cessar as funções de maestro titular do Coro Gulbenkian, continuando a acompanhar o percurso artístico deste agrupamento”, anunciou a fundação esta quinta-feira, em comunicado.

A decisão de lhe atribuir o estatuto de maestro honorário é uma forma de “louvar o inestimável trabalho” que o maestro fez em Lisboa durante mais de 50 anos. “Michel Corboz conseguiu transformar o Coro Gulbenkian num instrumento perfeito, uma referência absoluta de qualidade e uma escola de excelência para todo o movimento coral português”, diz a presidente da administração, Isabel Mota, no comunicado citado.

Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete de comunicação da Gulbenkian diz que a substituição de Corboz como maestro titular do Coro irá ser tratada em devido tempo. E avança que estão já em curso os contactos tendentes a encontrar o futuro maestro titular da Orquestra Gulbenkian, para suceder, na temporada 2021/22, ao franco-suíço Lorenzo Viotti. Em Dezembro, o actual maestro da Orquestra comunicou que no final do seu contrato de três anos como maestro titular da formação, iniciado na temporada de 2018/19, irá dirigir a Orquestra Filarmónica e da Ópera Nacional dos Países Baixos, em Amesterdão. Viotti manter-se-á, no entanto, como maestro convidado principal da Orquestra Gulbenkian.

Michel Corboz estreou-se à frente do Coro Gulbenkian a 17 de Dezembro de 1969. “Foi o primeiro de uma incontável série de concertos realizados com o Coro e a Orquestra Gulbenkian, muitos dos quais ficaram associados aos melhores momentos das formações, quer em espectáculos ao vivo, em Portugal e no estrangeiro, quer no que respeita a gravações”, recorda agora a fundação. No final de 2019, a Gulbenkian assinalou a passagem dos 50 anos do maestro suíço à frente da formação com um concerto de homenagem e a estreia de um documentário que a partir da próxima segunda-feira será disponibilizado no site da fundação.

Ao longo do seu mais de meio século de ligação ao Coro Gulbenkian, Michel Corboz registou 37 gravações com a formação, muitas delas premiadas a nível internacional, como Jephte, de Carissimi (1972), Le Jugement Dernier, de Charpentier (1979), e Lauda Sion, de Mendelssohn (1979), galardoadas com o Grand Prix da Académie Charles Cros; o Requiem de Mozart (1976, Prix Académie National du Disque), Paulus, de Mendelssohn (1988, Prix Berlioz 1989); e La Danse des Morts, de Honegger (1990, Orphée d’Or 1991), enumera a Gulbenkian. Além disso, conduziu concertos e digressões internacionais do Coro pela América do Sul, e por países como Israel, Macau, França, Itália e Espanha, entre outros destinos. 

O maestro suíço é Comendador da Ordem das Artes e das Letras e recebeu em 1999 a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique.