Depois da Cama Solidária, chegou o Computador Solidário para os alunos que dele precisem

Dias antes do arranque das actividades lectivas à distância, a agência uppOut criou a plataforma Computador Solidário. Qualquer pessoa pode doar um computador ou um tablet ou pedir um equipamento.

Foto
Annie Spratt/Unslpash

Depois de terem disponibilizado autocaravanas para profissionais de saúde poderem descansar é a vez do Computador Solidário. A uppOut lançou um novo movimento: uma plataforma criada para a doação de computadores, que serão oferecidos a alunos que não têm como assistir às aulas online.

Ricardo Paiágua, um dos fundadores da agência de criatividade uppOut e voluntário no projecto Cama Solidária, começa por dizer ao P3 que o movimento surgiu “da necessidade, dada a situação económica, de ajudar”. “Infelizmente isto está a tornar-se um bocado desafiante e, hoje em dia, todos nós precisamos de um computador”, conta. O conceito é semelhante ao do Student Keep, do movimento Tech4Covid19.

Lançado nos primeiros dias de Fevereiro, o Computador Solidário recebeu até ao momento 400 pedidos de ajuda e cerca de 500 pessoas já mostraram disponibilidade para doarem um computador. Algum do material não reúne as condições necessárias para ser utilizado, mas Ricardo assegura que o movimento solidário tem parcerias com equipas de manutenção tecnológica.

A primeira pessoa a receber equipamento foi um dos mais de dois mil voluntários da Cama Solidária, que demonstrou essa necessidade. “Enviei o projecto para um grupo do WhatsApp e passado um minuto uma das voluntárias disse que precisava de um computador. Assistia às aulas pelo telemóvel.” Foi o designer do projecto quem doou o computador à voluntária, um gesto que sensibilizou Ricardo por se tratar de alguém que “ajuda e tem sempre um sorriso na cara, mesmo passando algumas dificuldades”.

A missão do Computador Solidário é, assim, “um acto de solidariedade entre todos”. O projecto quer ganhar asas para se consolidar em todo o país e garantir um contributo para todos os alunos que precisam.

O apelo à solidariedade ecoa agora mais alto, nas vésperas do dia 8 de Fevereiro, quando as aulas online recomeçam. A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) já veio alertar o Governo para a falta de resolução dos problemas verificados no ano lectivo anterior, como a falta de distribuição de computadores e criação de condições de acesso à banda larga de Internet, tanto para alunos como para professores. O Conselho de Ministros apresentou, esta quinta-feira, a autorização de despesa para a compra de mais computadores e Internet para alunos carenciados. 

As doações são feitas através do site do projecto, onde os interessados devem apresentar a disponibilidade de doar computadores ou tablets. Para quem precisa de equipamento, o caminho a seguir é o mesmo — na mesma plataforma.

Texto editado por Amanda Ribeiro