Rússia vai expulsar diplomatas suecos, polacos e alemães que estiveram nos comícios a favor de Navalny

Angela Merkel diz que expulsão é “injustificada” e um “passo à frente no distanciamento do Estado de direito” da Rússia.

Foto
Os diplomatas são acusados de terem participado nas manifestações pela libertação de Navalny YURI KOCHETKOV/EPA

A Rússia vai expulsar diplomatas da Suécia, Polónia e Alemanha por terem participado nas manifestações a favor da libertação do opositor Alexei Navalny. A decisão foi anunciada no dia da visita do representante da diplomacia europeia, Josep Borrell, a Moscovo. A chanceler alemã, Angela Merkel, já reagiu, declarando a expulsão como “injustificada”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse que as acções dos diplomatas eram “inaceitáveis”, dizendo que participaram em comícios a favor da libertação de Navalny. Vários países da União Europeia criticam a prisão e o veredicto a que Navalny foi sujeito, o que está a levar a um novo momento de tensão nas relações entre Moscovo e Bruxelas, com a União Europeia a considerar novas sanções, mas sem nada de concreto em cima da mesa.

Borrel, que na conferência de imprensa conjunta com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros não se pronunciou sobre as expulsões, emitiu depois um comunicado. “Durante o meu encontro com o ministro Sergei Lavrov e Moscovo, soube que três diplomatas vão ser expulsos. Condeno veementemente esta decisão e rejeito as alegações de que estiveram envolvidos em actividades incompatíveis com o seu estatuto de diplomatas”, diz o texto. Borrell remata dizendo esperar que a decisão seja revertida e pede “união e solidariedade na UE para com os Estados membros afectados”.

As autoridades russas dizem que os diplomatas (não os identificando, nem dizendo quantos) participaram nos protestos de 23 de Janeiro em Moscovo e São Petersburgo. “Estas acções são inaceitáveis e não são admissíveis pelo seu estatuto de diplomatas.” Nestes protestos, dezenas de milhares de russos desafiaram autoridades e temperaturas negativas para pedir a libertação de Navalny e criticar o Presidente, Vladimir Putin. 

O MNE russo disse ainda “esperar que, no futuro, as missões diplomáticas da Suécia, Polónia e Alemanha e o seu pessoal sigam estritamente a lei internacional”. 

Em reacção, a chanceler alemã disse não haver qualquer justificação para a expulsão, lamentando que a Rússia dê “mais um passo no distanciamento no estado de Direito”.

Merkel acrescentou que a Alemanha está preparada para continuar a aplicar sanções à Rússia, incluindo a pessoas individuais, mas falou de um “dever diplomático” de manter canais de comunicação abertos com Moscovo. Mais, voltou a repetir que nada disto afecta, “por agora”, a posição do Governo alemão em relação ao NordStream2, gasoduto que permitirá duplicar o fluxo de gás natural russo na Alemanha​. 

Da Polónia, o MNE disse que chamou o embaixador russo por causa da expulsão de um diplomata polaco de São Petersburgo e acrescentou que espera que a Rússia “reverta” a decisão.

Navalny voltou à Rússia depois de uma tentativa de assassínio com o agente de nervos novichok, habitualmente usado pelos serviços secretos russos, do qual sobreviveu com sorte e após tratamento na Alemanha. Foi preso antes de passar o controlo alfandegário depois de sair do avião de Berlim para Moscovo, e foi agora condenado a mais de dois anos de prisão. Nesta sexta-feira voltou ao tribunal, agora por um crime de ofensa contra um ex-militar.