Álbum que Carlos do Carmo deixou gravado será lançado em Abril

O álbum, gravado ao longo de três anos, será lançado a 16 de Abril, em várias versões.

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Nuno Ferreira Santos

Quando o cantor e fadista Carlos do Carmo morreu, a 1 de Janeiro, ficou a saber-se que havia deixado um disco de inéditos para ser lançado este ano. Chama-se E Ainda… e será editado a 16 de Abril, comunicou esta sexta-feira a editora Universal.

Segundo a editora, o disco foi gravado ao longo de três anos e chegará às lojas fruto da intuição e da certeza de Carlos do Carmo de que tinha coisas para cantar, como refere na entrevista que será incluída na edição do disco. Sentia que ainda não dispensava as palavras e seleccionou para o efeito poemas de Hélia Correia, Herberto Hélder, Júlio Pomar, José Saramago, Vasco Graça Moura, Sophia de Mello Breyner e Jorge Palma, que afadistou. “Para mim não faz sentido cantar o fado sem bons poetas”, diz na referida entrevista. Com o fado tradicional como fio condutor, no álbum, também se ouve a música de António Victorino D’Almeida, Mário Pacheco, Paulo de Carvalho e José Manuel Neto.

Editado em vários formatos – digital, Jewel box com dois CD (o álbum de originais e o registo ao vivo dos Coliseus de 2019), deluxe, digipack de capa rija e num exclusivo Fnac que, para além dos dois CD, inclui ainda um DVD com o concerto do Coliseu de 2019 e imagens inéditas da sua gravação em vídeo, de ensaios e da entrevista com o artista, e vinil –, o disco já se encontra disponível em pré-venda na Fnac e no iTunes.

E Ainda... surge depois de À Noite, o último álbum de fados de Carlos do Carmo acompanhado à guitarra, e oito anos depois do seu último disco de originais, numa parceria com Maria João Pires, ao piano. Pelo meio, ainda vieram o disco com Bernardo Sassetti, igualmente acompanhado ao piano, em que cantou originais e versões de temas de outros artistas, e Fado é Amor, em que revisitou temas da sua carreira ao lado de toda uma nova geração que o tem como mentor e referência no fado.

No concerto do Coliseu dos Recreios, em 2019, o último que deu, na celebração dos seus 80 anos, Carlos do Carmo desfiou memórias e revisitou uma carreira que popularizou o fado junto de um público alargado que cresceu a ouvir Os putos, O cacilheiroO homem das castanhasLisboa menina e moça, Um homem na cidade ou Canoas no Tejo.