Deucalion, o novo supercomputador deverá estar operacional em 2022

O investimento no novo supercomputador em Portugal ascende a um total de mais de 20 milhões de euros nos próximos três anos.

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Dylan Martinez/Reuters

Um novo supercomputador, a instalar no Centro de Computação Avançada do Minho (MACC), em Guimarães, um dos quatro centros operacionais de computação avançada em Portugal coordenados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), deverá estar operacional no início de 2022.

O contrato de aquisição para o novo supercomputador petascale EuroHPC foi assinado entre a Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho (EuroHPC, na sigla em inglês), a FCT e a Fujitsu, empresa fornecedora da tecnologia.

“Representando um investimento conjunto de mais de 20 milhões de euros nos próximos três anos, este novo supercomputador deverá estar operacional no início de 2022”, refere uma nota de imprensa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que tutela a FCT.

O novo supercomputador “resulta de um esforço conjunto e colaborativo co-financiado pela FCT, pelo Fundo de Apoio à Inovação, o Fundo de Eficiência Energética, os Fundos Estruturais Europeus da Região Norte de Portugal, o Município de Guimarães e a EuroHPC JU, que irão contribuir com 6,95 milhões de euros”, segundo a mesma nota.

Este sistema HPC, denominado Deucalion, é um supercomputador capaz de executar “dez milhões de biliões de cálculos por segundo”.

“A máquina usará a tecnologia ARM, que se trata do Fujitsu A64FX CPU, usado pelo Fugaku, o supercomputador mais rápido do mundo actualmente”, adianta, sendo que “o Deucalion permitirá o desenvolvimento de um contexto único e inovador para aplicar os princípios europeus e mundiais da computação verde”.

O primeiro supercomputador entrou em funcionamento em Portugal em 2019 e denomina-se Bob.

Citado na nota, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirma que se trata “da concretização de um objectivo importante durante a presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia”. Manuel Heitor destaca ainda que é “um passo em frente para envolver todas as regiões na ampla rede europeia de supercomputação”, permitindo que “as infra-estruturas digitais promovam novas fronteiras de conhecimento em várias disciplinas e em direcção a um futuro melhor e mais verde”.

“O “Deucalion” será um dos primeiros projectos europeus de supercomputação com um nível reduzido de emissões de carbono, alinhado com o Pacto Ecológico Europeu”, realça, por seu turno, o ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes. “Toda a operação deste supercomputador será baseada em fontes de energia renováveis, seja pela produção directa de electricidade a partir de tecnologias baseadas nas energias solar e eólica numa lógica de autoconsumo, ou combinando-a com sistemas de armazenamento”, salienta o governante.

O director científico do MACC, Rui Oliveira, nota que o “Deucalion, além de ser uma infra-estrutura fundamental para muitos domínios da ciência com uma arquitectura híbrida, visa reforçar as competências nacionais de computação avançada, tanto no sistema académico e científico como na indústria”.

A presidente da FCT, Helena Pereira, sustenta que “este novo supercomputador integrará aplicações em diversos domínios, incluindo inteligência artificial, medicina personalizada, criação de medicamentos e materiais, bioengenharia, observação da Terra e combate às alterações climáticas, cidades, territórios e mobilidade”.

Igualmente citado na nota de imprensa, o director executivo da EuroHPC JU, Anders Dam Jensen, aponta que “os utilizadores do EuroHPC vão poder beneficiar deste supercomputador mais recente, onde quer que estejam na Europa”. “Este sistema ajudará a acelerar o diagnóstico e o tratamento de doenças, a melhor antecipar as condições climáticas ou a avançar no conhecimento da matéria. Esse sistema de ponta também apoiará a nossa ambição de tornar a Europa um líder global em HPC.”

Bruxelas contribui com sete milhões de euros

Para a instalação em Portugal de um novo supercomputador, a Comissão Europeia anunciou a contribuição de sete milhões de euros. Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o executivo comunitário explica que esta contribuição da União Europeia (UE) se enquadra na verba total de 20 milhões de euros para o projecto português do supercomputador Deucalion, suportada pela Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho, iniciativa que junta recursos europeus para comprar e instalar supercomputadores e tecnologias de classe mundial.

“A UE contribuirá com quase sete milhões de euros para o custo do supercomputador [português], que será capaz de executar dez milhões de biliões de operações por segundo e ficará alojado no Centro de Computação Avançada do Minho”, destaca a instituição.

Este supercomputador “será utilizado para promover a investigação e desenvolvimento de tecnologias eficientes em termos de recursos e energia, descoberta de novas drogas e previsão do tempo”, acrescenta-se. “Também ajudará a desenvolver aplicações industriais em muitos domínios: concepção de medicamentos e materiais, bioengenharia e sistemas energéticos mais ‘amigos’ do clima”, adianta a Comissão Europeia, considerando que o objectivo do investimento é garantir que “a UE está na vanguarda do investimento em infra-estruturas de supercomputação da próxima geração”.

Além do projecto português, a iniciativa europeia contribuiu já para a aquisição de outros seis computadores de alto desempenho para centros de computação localizados na Bulgária, República Checa, Finlândia, Itália, Luxemburgo e Eslovénia.

A Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho planeia, ainda este ano, fazer o mesmo com outro supercomputador em Barcelona, Espanha. Em Setembro de 2020, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para permitir um investimento adicional de oito mil milhões de euros na próxima geração de supercomputadores e tecnologias quânticas.