Bósnia, Tunísia, Cabo Verde e Palestina estão entre os primeiros a receber vacinas da Covax

Aliança que permite distribuição de vacinas a países sem recursos para as comprar avança com primeiras entregas de vacinas da BioNTech/Pfizer em 18 países. Profissionais de saúde da linha da frente serão os beneficiários desta primeira leva de vacinas.

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Início da campanha de vacinação na Cisjordânia com vacinas da Moderna enviadas por Israel ABED AL HASHLAMOUN/EPA

Bósnia-Herzegovina, Tunísia, Cabo Verde ou os territórios palestinianos estão entre os primeiros a receber vacinas através da iniciativa Covax, que pretende juntar recursos para a compra de vacinas para países mais pobres. O programa tem previsto disponibilizar pelo menos 330 milhões de doses de vacinas na primeira metade de 2021, disseram responsáveis numa conferência de imprensa.

As doses deverão ser suficientes para cerca de 3,3% da população total de 145 países entre os cerca de 190 que participam na aliança, segundo o plano interino de distribuição, que identifica os primeiros países a receber as primeiras doses (1,2 milhões da BioNTech/Pfizer), divulgado também esta terça-feira. 

A escolha destes países foi tomada tendo em conta a prontidão para iniciar os programas de vacinação, dando prioridade a países que ainda não começaram o seu programa de vacinação e onde trabalhadores da área da saúde estejam expostos a grande transmissão, explicou a responsável do programa de vacinação da OMS Ann Lindtrand, na conferência de imprensa. Os profissionais de saúde da linha da frente deverão ser os primeiros a receber vacinas.

Os 18 países que vão receber vacinas da BioNTech/Pfizer na fase inicial são o Butão, Bolívia, Bósnia, Cabo Verde, Colômbia, El Salvador, Geórgia, Maldivas, Moldávia, Mongólia, Peru, Filipinas, Coreia do Sul, Ruanda, África do Sul, Tunísia, e Ucrânia, assim como os territórios palestinianos – que começaram na terça-feira a vacinar profissionais de saúde com 3000 vacinas da Moderna enviadas por Israel (outras 3000 seguirão em breve, segundo as autoridades israelitas, que estavam a ser muito criticadas por não vacinar os palestinianos dos territórios ocupados). 

A aliança junta 190 países e territórios, incluindo os que se autofinanciam e contribuíram para o fundo, que permitirá pagar as vacinas de 93 países com menos recursos (a União Europeia é o maior contribuinte). Todos beneficiam por ter sido investido numa série de vacinas candidatas, não ficando assim os países dependentes da sorte de terem apostado nas vacinas com maior segurança e eficácia. A aliança espera ainda receber doações dos países ricos que compraram vacinas a mais.

O plano é ainda interino porque assenta na distribuição de duas vacinas, a da AstraZeneca e a da BioNTech/Pfizer, com maior quantidade da primeira – que não tem ainda a autorização de emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS), necessária para a utilização, que se espera para breve. A vacina da BioNTech/Pfizer tem mais exigências: precisa de ser guardada a temperaturas muito baixas e por isso é um desafio especial para países com menos recursos.

A capacidade de produção é um dos desafios actuais, e a vacina da AstraZeneca vai ainda ser produzida pelo Serum Institute, na Índia, através de um acordo a longo prazo. O acordo prevê que o Serum Institute produza também vacinas da Novavax (estas ainda num estádio anterior de desenvolvimento, tendo terminado agora a fase 3 dos ensaios clínicos), anunciou a responsável da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Henrietta Fore.

Enquanto isso, a China anunciou que pretende doar 10 milhões de doses de vacinas à Covax, com três farmacêuticas chinesas a candidatar as suas vacinas a aprovação da OMS. Segundo um documento interno a que a Reuters teve acesso, a organização não deverá tomar uma decisão em relação a estas três vacinas antes de Março.

A China – e também a Rússia – têm levado a cabo uma chamada “diplomacia de vacinas”, disponibilizando lotes das suas vacinas a países que não estão a conseguir assegurar doses para a sua população (a vacina russa Sputnik V também ainda não tem autorização da OMS). Na segunda-feira, a China disse que estava a dar ajuda 13 países e planeava juntar ainda outros 38 à lista.