Na Suíça, um quase centenário cruzeiro tornou-se “o barco da vacina” no lago Constança

Mudam-se os tempos, mudam-se as viagens: um velhinho cruzeiro de quase 90 anos, mas que só parou de navegar na pandemia, foi readaptado como centro de vacinação e passa agora a vida entre as margens do grande lago.

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Um barco de passageiros de 89 anos, fora de serviço devido à pandemia de coronavírus, foi readaptado na terça-feira como um centro de vacinação covid-19 para milhares de residentes de cidades no lago Constança – por sinal, território onde um piloto, em Dezembro, decidiu desenhar nos céus a forma de uma vacina para marcar o início da vacinação na Europa.

O MS Thurgau, com capacidade para 500 passageiros, normalmente transporta turistas e passageiros entre cidades alemãs e suíças no terceiro maior lago da Europa. Nas próximas semanas, ele servirá como centro de inoculação flutuante para as cidades do Norte da Suíça Romanshorn, Arbon e Kreuzlingen.

Responsáveis regionais destacaram o lado prático do barco, já que ele pode navegar de porto em porto: já lhe chamam mesmo o “vaporetto [barco a vapor] da vacina”.

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“Já ouvi falar de cruzeiros de fondues e de cruzeiros de spaghetti​, mas este é o meu primeiro cruzeiro de vacinas”, disse o ministro da Saúde da Suíça, Alain Berset, aos repórteres logo depois de terem sido vacinadas as primeiras pessoas.

A Suíça comunicou pouco mais de 1600 novas infecções esta terça-feira, elevando o total para 526.000, com os casos de variantes de rápida propagação a duplicarem a cada semana. Morreram perto de 8800 pessoas.

A bordo do MS Thurgau há duas estações de vacinação capazes de cuidar de 24 pessoas por hora – uma a cada cinco minutos – ou 168 pessoas por dia durante um turno de sete horas.

Conforme mais vacinas chegarem à Suíça, as estações podem ser aumentadas até oito.

Durante a primeira semana, o navio estará em Romanshorn, um centro histórico de comércio de cereais à beira do lago, seguindo-se duas semanas na cidade de Kreuzlingen.

Depois de mais uma semana nas proximidades de Arbon, o navio fará a viagem de regresso a Romanshorn, para que os inoculados possam receber a segunda dose.

“Foi perfeitamente organizado. Nem senti a agulha”, disse Kurt Huber, que mora na região, ao desembarcar pela rampa após ter recebido a vacina. Huber disse que recomendaria o “barco da vacina” a outras pessoas que possam estar hesitantes sobre se devem ou não ser vacinadas. “Quando uma pessoa sabe o que pode acontecer, é simplesmente lógico” ser vacinado, disse.

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Apenas vacinas da Moderna estão a ser usadas a bordo do MS Thurgau, uma vez que os frascos de dez doses são ligeiramente mais fáceis de preparar nos alojamentos apertados do navio, disseram os médicos.

O cantão de Thurgau considerou inicialmente a criação de centros de vacinas a bordo de autocarros, mas acabou por optar pelo cruzeiro.

“Queríamos descobrir como poderíamos vacinar o maior número possível de pessoas, com o menor número de centros de vacinação”, disse Urs Martin, do governo regional.

Como em outras partes da Europa, a região do lago de Constança, dependente do turismo, foi duramente afectada pela pandemia.

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Uma fronteira erguida temporariamente entre as cidades vizinhas de Constança, Alemanha, e Kreuzlingen, Suíça, no ano passado dividiu famílias, amigos e namorados por semanas.

A viagem do MS Thurgau deverá prolongar-se por 12 semanas, disse Adriano Mari, director-geral dos centros de vacinação de Thurgau administrados pelo grupo de hospitais privados Hirslanden, uma unidade da Mediclinic, sediada na África do Sul. Mari espera que o trabalho do “barco da vacina” fique assim terminado, não sendo necessária uma nova volta ao lago.

“Tenho esperança de que depois as coisas melhorem e que o barco possa voltar a transportar passageiros e a fazer a sua rota normal”, disse Mari.