Covid-19: dezenas de passageiros devem passar a noite no aeroporto de Lisboa, enquanto aguardam resultado de teste

Passageiros que desembarquem em Portugal sem comprovativo de teste negativo têm de fazer teste à chegada e aguardar no aeroporto até saberem o resultado, o que pode demorar mais de oito horas.

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Sala de espera para passageiros que fazem o teste RT-PCR para rastreio da infecção por SARS-CoV-2 à chegada do Aeroporto de Lisboa Joaquim Vicente

Joaquim Vicente é um dos “mais de 50 passageiros” que aguardam pelo resultado do teste ao novo coronavírus no aeroporto de Lisboa. 

Sem comprovativo do teste laboratorial (RT-PCR) para rastreio da infecção por SARS-CoV-2 negativo, o funcionário judicial foi impedido de embarcar no voo de Madrid para Lisboa, reservado pela Iberia. “A companhia aérea não me deixou embarcar sem teste”, conta ao PÚBLICO, por telefone. Mas em Madrid, onde fazia escala vindo de Punta Cana, na República Dominicana, conseguiu marcar outro voo com a Air Europa, que não pediu comprovativo de teste para o novo coronavírus, diz.

À chegada a Lisboa, conta, dezenas de passageiros fizeram o teste obrigatório nos laboratórios do aeroporto, com um custo de 100 euros, e aguardam agora o resultado. O procedimento é normal, diz a ANA Aeroportos. Segundo o novo despacho, publicado a 29 de Janeiro, os cidadãos nacionais e cidadãos estrangeiros com residência legal em território nacional e seus familiares que embarquem sem comprovativo de teste têm de aguardar “em local próprio no interior do aeroporto até à notificação do resultado negativo”. Já as companhias aéreas que permitam o embarque de passageiros sem comprovativo de "resultado negativo, realizado nas 72 horas anteriores ao momento do embarque” incorrem em “contra-ordenação”. 

“Disseram-me que o resultado demoraria entre 8 a 12 horas”, diz ao PÚBLICO Joaquim Vicente, cidadão português que fez o teste às 19h e não está ansioso pela noite que vai passar na sala de espera improvisada. “Se o teste tiver resultado negativo, vou para casa. Se for positivo, vou para casa. Então porque é que não me deixam sair?” 

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As camas de campanha são "muito poucas" para o número de pessoas na sala de espera, diz Joaquim Vicente Joaquim Vicente

As cadeiras na sala de espera improvisada na zona internacional do aeroporto “são insuficientes”, bem como as “poucas camas de campanha”, descreve. São disponibilizadas garrafas de água, bolachas e sopa quente gratuitamente, que, diz, também é insuficiente. A aparente falta de preparação pode ser explicada por um número invulgar de passageiros sem comprovativo de teste com resultado negativo, uma vez que as novas regras foram publicadas a 29 de Janeiro.

Fotografia enviada ao PÚBLICO por um outro passageiro, retido há mais de 8 horas no Aeroporto de Lisboa. DR
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Fonte oficial da ANA disse ao PÚBLICO que “foram adaptadas diferentes áreas, à partida e à chegada, para controlo documental (pelas autoridades competentes) e reforçados os recursos do laboratório que realizam os testes aos passageiros à chegada, solicitando também a diminuição do tempo de espera para comunicação de resultados, dentro do que é possível no actual contexto”.

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