BE admite que candidatura de Marisa ficou aquém do esperado

Mesa nacional dos bloquistas quer salário pago a 100% aos pais que tenham de ficar em casa.

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Catarina Martins reafirmou que o BE vai pedir que os pais, que têm de ficar em casa com os filhos, recebam a 100% LUSA/TIAGO PETINGA

O Bloco de Esquerda (BE) admitiu, este sábado, que a candidatura presidencial de Marisa Matias, apoiada pelo partido, “ficou aquém” dos resultados que esperava.

A mesa nacional do Bloco de Esquerda, reunida por videoconferência, saudou “a disponibilidade e empenho” de Marisa Matias, admitindo, porém, que os resultados “ficaram longe do impacto real da candidatura e dos seus objectivos”.

“Sob a crise pandémica que secundarizou a visibilidade da campanha, foi mais difícil expor os bloqueios que a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa promove, seja na permanência da troika na legislação laboral, na protecção dos grupos privados da Saúde ou na conformação com o programa europeu de concentração bancária paga pelos países da periferia do euro”.

Sobre a “folgada vitória à primeira volta” de Marcelo, os bloquistas dizem que “contribuíram os eleitores mais moderados da direita, mas sobretudo os do PS e até da esquerda”.

“As votações de Ana Gomes (um segundo lugar muito aquém do conseguido por Sampaio da Nóvoa há cinco anos) e de João Ferreira (ao nível de Edgar Silva) também confirmam esta leitura. Os resultados, bem como os estudos e sondagens divulgados, indicam que boa parte das pessoas que no domingo se declararam eleitores do Bloco optaram pelo voto em Marcelo Rebelo de Sousa”, dizem ainda.

No mesmo encontro, o BE anunciou que vai propor, na Assembleia da República, o apoio a 100% dos salários de quem fica em casa com os filhos mais pequenos, mesmo que estejam em teletrabalho, durante a crise pandémica.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, anunciou que o partido vai propor a apreciação parlamentar do último decreto com medidas para conter a crise social e económica causada pela pandemia de modo, mudar a lei no Parlamento, e reforçar o apoio às populações.

E num momento em que se admite o prolongamento do ensino à distância, e o encerramento das escolas, “não é possível pedir às famílias que fiquem em casa quando isso sujeita um adulto ao corte de um terço do seu salário”, disse Catarina Martins. “É urgente reforçar o apoio aos pais e às mães de crianças até aos 12 anos, que tem que ser a 100%”, insistiu a líder bloquista. “Esse passo já foi dado no ‘lay-off”, mas, “numa crise prolongada” como a que se prevê, é preciso que “os pais que ficam em casa com os seus filhos tenham o apoio a 100%”.