Confinados com cães e gatos? Cinco cuidados a ter com os animais durante a pandemia

Depois de, sem aviso, lhes termos invadido o espaço o dia inteiro, voltámos a sair. Agora, há o retorno à forma inicial, e os animais acusam a mudança.

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É importante criar rotinas para não ser constantemente interrompido pelos bichos Unsplash/Andy Orin

A advertência é para não sair de casa, as escolas encerraram e o teletrabalho, desde que possível, passou a ser obrigatório. Na prática, as casas voltaram a ter habitantes todas as horas do dia ou quase — e, nas que há animais, o corrupio irá afectar ainda mais quem está a trabalhar como os bichos que têm de voltar a “aturar” a companhia permanente. É que se há uns que agradecem, outros revelam-se verdadeiramente incomodados por verem o seu espaço constantemente perturbado pelos humanos — e até terão manifestado sinais de contentamento quando, em Maio do ano passado, se iniciou um lento desconfinamento.

Porém, apesar da casa cheia, há formas de viver este período com maior tranquilidade, tendo alguns cuidados especiais com os bichos, especialmente cães, que não vão perceber por que motivo os seus amigos de duas pernas passam o dia a enxotá-los… Afinal, apesar de haver muita tolerância para o que aparece num ecrã de uma videochamada de trabalho, já que se vive uma situação extraordinária, nem toda a gente compreenderá o gato a caminhar sobre o teclado ou o cão aos saltos atrás de nós.

Passeie o cão

Seja de pequeno, médio ou grande porte, quanto mais um cão passeia maior a probabilidade de dentro de casa ter um comportamento sereno. Além do mais, essa é uma das condições para que se possa sair de confinamento — mas, lembre-se, passear o cão não significa ir com ele para fora da sua zona de residência, sendo que, nesse caso, poderá arriscar uma multa, tendo por base as regras em vigor do estado de emergência.

O passeio com o cão também permitirá esticar as pernas, o que é essencial neste período — a ausência de exercício físico regular pode estar na base de problemas graves de saúde. E se tiver filhos adolescentes poderá sempre incentivar que estes acompanhem o animal: e, enquanto vão todos passear, pode aproveitar para se concentrar naquela tarefa com a qual estava a ter tanta dificuldade.

No entanto, nos passeios com os animais deverá ter cuidados extra: mantenha uma distância de segurança de outras pessoas, dando preferência a zonas de menor afluência. A start-up Dr. Bigodes, que presta serviços de veterinária ao domicílio, reforça que, nesta fase, é de “evitar parques caninos e não permitir que estranhos interajam com o animal fora de casa”.

Reforce os cuidados de higiene

O coronavírus SARS-CoV-2 passa entre os seres humanos através de gotículas e aerossóis, mas também pelo contacto com superfícies infectadas. Por isso, torna-se necessário reforçar a higiene antes de sair de casa e no regresso: lave as mãos, traga sempre consigo desinfectante e máscara (de preferência cirúrgica).

Não use o desinfectante nem qualquer produto com álcool nos animais — são líquidos demasiado agressivos. No entanto, a mesma veterinária aconselha a passar com uma toalhita de bebé nas almofadas das patas dos cães sempre que se regresse da rua.

Mantenha a rotina

Desde que se iniciou a pandemia e, a 12 de Março de 2020, foi declarado o primeiro estado de alerta, todos os especialistas indicam que o principal para manter a saúde mental é manter as rotinas: ter uma hora para acordar e para recolher ao quarto ou manter a mesma regularidade nos intervalos entre refeições. Com os animais, as rotinas também ajudam.

A Edgard & Cooper, marca de rações para cães e gatos, num guia para donos de cães e gatos a trabalhar em casa, reforça que “tanto cães como gatos adoram rotinas, pelo que fazer uma programação diária com horários fixos para as brincadeiras é fundamental”.

Com o cão, faça os passeios diariamente por volta da mesma hora e alimente o animal com a mesma frequência — não é por estar em casa que irá passar o tempo a encher a tigela (e muito menos a oferecer-lhe guloseimas!). Este último item também é muito importante com os gatos mais gulosos, que vão apreciar que brinque com eles durante alguns minutos.

Prepare o tempo (e local) de trabalho

Está atrasado e vai direito ao computador sem verificar sequer a tigela da água. Não vale a pena: a pressa acabará por tornar a jornada mais lenta e dura, com os animais, impacientes, a interromperem constantemente. Crie uma rotina que inclua tratar de tudo o que está relacionado com os bichos antes de arrancar com o dia de trabalho: ofereça-lhes água fresca e alimente-os, se esse for o horário. A empresa de veterinária aconselha ainda a “criar um espaço aconchegante para o seu animal de estimação enquanto você trabalha”.

Aprender a brincar

Tal como acontece com os humanos, os animais precisam de tempo para brincar. Se houver crianças em casa pode aproveitar para criar momentos de brincadeira entre todos que permitirá ao animal desenvolver a aprendizagem e também — muito importante! — a fortalecer laços com os habitantes mais pequenos da casa. A Dr. Bigodes sugere que se “crie circuitos de exercício para os animais mais activos” e que “se ensine novos truques”. Lembre-se de reforçar os comportamentos positivos.