Alunos de enfermagem lançam petição para serem incluídos no grupo prioritário de vacinação

“Apesar de ainda não sermos profissionais de saúde, estamos expostos aos mesmos riscos e contactos”, dizem os estudantes. Plano de vacinação actual não dá prioridade a este grupo. A petição conta com quase 12 mil assinaturas.

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Rui Gaudêncio

O alerta já tinha sido feito pela Ordem dos Enfermeiros (OE), que contestou o facto de os alunos de Enfermagem em ensino clínico estarem excluídos da fase de vacinação prioritária para profissionais de saúde. Agora, foi lançada uma petição para que isso mesmo aconteça: os estudantes pedem “uma reformulação dos critérios do plano de vacinação contra a covid-19 no que diz respeito aos grupos prioritários e à respectiva fase de vacinação”. 

“Estamos presentes na prestação de cuidados, seja em meio hospitalar ou comunitário, pelo que, apesar de ainda não sermos profissionais de saúde, estamos expostos aos mesmos riscos e contactos”, referem os autores da petição, que já conta com quase 12 mil assinaturas. Este era também o argumento da OE, que apelou à ministra da Saúde, Marta Temido, que a situação fosse tida em conta.

O plano actual prevê que este grupo seja vacinado ao mesmo tempo que “qualquer pessoa sem ligação à área da saúde ou em contacto directo com doentes, o que, em primeira linha, representa um risco para os próprios doentes”, relembra a OE no site

Na petição, os estudantes garantem que não querem, “de modo algum, virar as costas ao contexto pandémico”. “Queremos e fazemos por estar presentes no contexto de prestação de cuidados, de forma a assegurar o nosso desenvolvimento profissional”, continuam. 

O pedido surge na mesma semana em que um testemunho de uma estudante de enfermagem, publicado nas redes sociais, se tornou viral. Da autoria de Ana Maria Ramos e publicado no Instagram de uma colega da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha, o texto sublinha a “coragem, resiliência e persistência” dos estudantes em estágio nos hospitais e centros de saúde. “Não temos direito à vacina e não recebemos qualquer remuneração. Mas estamos lá”, relembra. 

A estudante relata o que tem vivido no hospital em tempos de pandemia: “Estamos constantemente metidos no meio de surtos que, infelizmente, são cada vez mais recorrentes. Estamos constantemente a ver o cansaço na cara dos profissionais. Estamos constantemente a ver o cansaço na cara dos doentes. Também presenciamos a morte de doentes. Também temos as testas e os narizes marcados.” E continua, lamentando que “a Enfermagem não seja valorizada” e que “os enfermeiros não recebam o reconhecimento devido”. 

Ana Maria Ramos termina com um apelo para que todos fiquem em casa e um agradecimento aos enfermeiros com quem “já se cruzaram” e com os que ainda se vão cruzar. “A todos os estudantes de Enfermagem, espalhados por todo o país, estamos longe mas perto, e fazemos este caminho juntos até ao fim.”