A ACE Escola de Artes tem uma VAGA de open calls para projectos artísticos

A escola do Teatro Bolhão assinala, este ano, o 30.º aniversário. A celebração foi adiada, bem como a VAGA, mostra de artes e de ideias, que se faz dos projectos seleccionados das três open calls disponíveis. As candidaturas estão abertas até 31 de Janeiro.

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Paulo Pimenta

Prevista para este mês, a celebração dos 30 anos da ACE Escola de Artes do Teatro Bolhão foi adiada para Outubro. Mas a pandemia não empurrou só a festa de aniversário da escola portuense para as últimas páginas do calendário: também a terceira edição da VAGA, uma mostra de artes e de ideias, decorrerá nesse mês. Na sua página online, o Teatro do Bolhão espera ter, nessa altura, “melhores condições para o acolhimento de equipas, projectos artísticos e públicos”.

A VAGA faz-se das candidaturas vencedoras das open calls promovidas pela escola, que se dividem em três: Bolsa de Criação, Apresentação de Projectos e VAGALUME. Uma vez que o evento foi adiado, o prazo de candidatura a estas oportunidades foi alargado: agora, quem quiser candidatar-se às três diferentes oportunidades pode fazê-lo até ao próximo domingo (dia 31). Antes das especificações inerentes a cada uma das open calls, convém salientar uma condição à apresentação de candidaturas: todos os projectos concorrentes devem conter, na sua equipa, pelo menos um membro que tenha sido formado pela ACE Escola de Artes.  

Quem se candidatar à Bolsa de Criação deverá apresentar um projecto “original, de qualquer área do espectáculo”, que poderá ser individual ou colectivo. A criação, a ser apresentada por duas vezes no Salão Nobre do Palácio do Bolhão, deverá ser pensada de acordo com “as condições técnicas do espaço”. Na candidatura deve seguir um “texto de apresentação do projecto com informação detalhada”, a sinopse, a ficha artística e uma “nota biográfica dos/das participantes”, lê-se no regulamento. Os vencedores terão direito a uma bolsa de 2000 euros. A escola disponibilizará material e equipa técnica de apoio e accionará “todos os meios de comunicação” para a promoção da estreia do projecto.

Já a open call para Apresentação de Projectos destina-se a criações já estreadas. As condições de candidatura são semelhantes às da anterior, mas há algumas especificações a ter em conta: para além do texto de apresentação, sinopse, ficha artística e nota biográfica, os candidatos devem também enviar fotografias, um vídeo integral e o rider técnico. O apoio disponibilizado pela escola é praticamente o mesmo; contudo, o número de projectos a seleccionar dependerá das candidaturas recebidas. A remuneração variará “de acordo com o projecto e o número de participantes”.

Por fim, o VAGALUME diz respeito a criações “de dimensão reduzidas” a apresentar em “espaços não convencionais”. Os projectos deverão ter uma duração até 15 minutos e as possibilidades são mais alargadas: tanto podem ser pequenos espectáculos de teatro, dança ou circo como instalações sonoras ou plásticas, por exemplo. Desta vez, as criações seleccionadas (também a definir consoante o número de candidaturas) devem ser pensadas para alguns locais do Palácio do Bolhão — da escadaria à Sala D. Maria II, passando pelo átrio do cavalo, por exemplo. Estes projectos, como indica o regulamento, serão “apresentados mais do que uma vez”. Os documentos a enviar são os mesmos, mas acrescenta-se a “sugestão de espaço de apresentação”. A remuneração também dependerá do tipo de projecto e do número de participantes.

Todas as candidaturas deverão ser enviadas para vaga.candidaturas@gmail.com. António Júlio, director artístico da VAGA e docente na Escola das Artes, indica que “os resultados serão conhecidos logo que possível”, já que questões como esta “ficam um pouco indefinidas devido à pandemia”.

A terceira edição desta mostra assinalará os 30 anos da ACE Escola de Artes. Apesar de ter surgido em 2016, aquando a celebração do 25.º aniversário, a VAGA passou a ser “um espaço de programação bienal a partir de 2019”. O foco, explica António Júlio, “são os profissionais formados na escola”, daí a condição anteriormente referida. “Sabemos que todos têm relações com todas as escolas e temos sempre propostas de formações muito variadas”, acrescenta.

A VAGA, diz, “tem esta vontade de abrir espaço para projectos que estão a emergir” e dirige-se “a quem procura formatos mais pequenos e controlados” criados “por pessoas que arrisquem e que queiram confrontar o público”. Para os alunos, especialmente para aqueles que se formaram há pouco tempo (ou que estão na recta final), serve também de “janela aberta”: “É um espaço de experimentação e iniciação para quem tenha onde apresentar as suas ideias.” Pelo meio, aproveita-se para estimular “um reencontro” e cruzar gerações.

Quanto a dicas para potenciais candidatos às diferentes open calls, o director artístico da VAGA é claro: “É arriscar, principalmente. Que se experimente, que se teste, que se reinvente, que se mostre.”