As respostas às incógnitas da noite eleitoral

A noite eleitoral arrancou com dúvidas que em pouco mais de três horas ficaram desfeitas.

Foto
Ana Gomes tornou-se neste domingo a mulher candidata a Presidente mais votada de sempre Rui Gaudêncio

1. Qual foi a taxa de abstenção?

Este ano houve algumas novidades, face a 2016, para baralhar as contas: houve mais eleitores recenseados no estrangeiro por causa do efeito que a renovação do cartão de cidadão tem nos cadernos eleitorais; houve quase 200 mil pessoas que votaram antecipadamente e em mobilidade (uma hipótese que não existia em 2016); e a ida às urnas decorreu durante uma crise sanitária. As primeiras projecções indicavam que a taxa de abstenção ficaria entre os 50% e os 60%, tendo ficado próxima do pior dos cenários. Em 2016, a taxa de abstenção ficou em 51,3%, o que mostra que houve um agravamento. Desde as primeiras eleições presidenciais, em 1976, que a taxa de abstenção tem sido maior na eleição em que o Presidente se recandidata. Com excepção de Ramalho Eanes, que foi reeleito para um segundo mandato em 1980, quando a taxa de abstenção se reduziu face à primeira eleição (passando de 24,5% para 15,6%).

2. Há ou não segunda volta? 

Não. Era uma das incógnitas da noite eleitoral, a de saber se quem colhesse mais apoios conseguia ter mais de metade dos votos, evitando assim uma segunda volta. Às 20h, as primeiras sondagens indicavam que Marcelo Rebelo de Sousa ganharia à primeira volta. E assim foi. Marcelo teve, aliás, mais votos do que na primeira eleição, quando obteve 52,6% dos votos. Nos últimos dias de campanha, Marcelo Rebelo de Sousa tinha dramatizado a possibilidade de uma segunda volta para decidir as eleições em tempo de emergência sanitária. Na história das eleições presidenciais estas foram as décimas –​ houve necessidade de uma segunda volta apenas uma única vez, em 1986, quando Mário Soares disputou uma segunda ronda contra Diogo Freitas do Amaral, conseguindo 51,18%. 

3. Quem fica em segundo?

As presidenciais ficaram resolvidas à primeira volta, com a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas se o segundo lugar não foi relevante para uma eventual segunda volta, foi importante para fazer leituras sobre o peso do candidato do Chega, que, ao longo da noite eleitoral, disputou a segunda posição com Ana Gomes taco a taco. Com os votos todos contados, foi claro quem conseguiu o segundo lugar: Ana Gomes, a candidata da área socialista, com mais de meio milhão de votos e que se tornou a mulher candidata a Presidente mais votada de sempre, estatuto que era de Marisa Matias desde as presidenciais de 2016.

4. Que votações tiveram os candidatos da esquerda?

Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, foi uma das derrotadas da noite eleitoral. Há cinco anos obteve 10,12%, mas neste domingo não chegou aos 4%. João Ferreira, o candidato do PCP, ultrapassou os 4%, ligeiramente acima da percentagem obtida há cinco anos por Edgar Silva, que era menos conhecido do que o candidato comunista nas presidenciais de 2021. Ana Gomes, a candidata socialista que não teve o apoio oficial do PS que formalmente não apoiou ninguém obteve mais de 12% dos votos, ficando em segundo lugar. 

5. O último lugar fica para…

Tino de Rans. O candidato Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, perdeu na freguesia onde já foi autarca.

Vídeo: Uma tempestade política e as "tempestadezinhas" que aí vêm