O rio deu e o rio tirou. Vilarinho da Furna, aldeia comunitária, afogou-se há 50 anos

O rio Homem esbarrou no betão e, sem ter por onde seguir, engoliu Vilarinho. A barragem que a fez desaparecer e o interesse de etnólogos na vida dos furnenses deram fama à localidade. Foi há 50 anos que os últimos habitantes de Vilarinho da Furna (no singular, sim) saíram da aldeia comunitária que viveu sempre a democracia (até durante o Estado Novo).

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Manuel Antunes

No primeiro dia de 1971, só o silêncio e a água preenchiam o que ainda sobrava de Vilarinho da Furna, uma povoação na freguesia do Campo do Gerês, em Terras de Bouro. Nesse ano, o rio Homem havia de inundar grande parte do terreno da aldeia — era a política de grandes investimentos hidroeléctricos do Estado Novo, que se queria livrar da dependência do carvão importado, a pôr fim àquela povoação. Apesar de tapada nesse ano, a barragem de Vilarinho da Furna só seria inaugurada a 21 de Maio de 1972.

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