Felipe Naveca: “Quando um vírus circula livremente na população, vai evoluir mais”

Cientista brasileiro que tem estudado a nova variante identificada no Brasil explica-nos o que nos pode preocupar nela e como tem sido a gestão da pandemia no seu país.

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O virologista brasileiro Felipe Naveca Eduardo Gomes

O virologista Felipe Naveca já estava habituado a tentar entender melhor os vírus. Desde o final de 2018 que começou a estudar vírus respiratórios devido à falta de informação sobre o que estava circular no estado do Amazonas, no Brasil. Antes, o actual vice-director de investigação e inovação do Instituto Leônidas e Maria Deane, uma unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manaus, no Amazonas, já estudava vírus como o Zika, o dengue e o chicungunha.

Agora, em entrevista ao PÚBLICO, diz que o SARS-CoV-2 tem sido um desafio para o qual se preparou ao longo da vida. Logo no início da pandemia, em Março do ano passado, coordenou a sequenciação do primeiro genoma deste coronavírus no Amazonas. Este mês, a sua equipa foi uma das que confirmou a origem de uma nova variante nesse estado brasileiro. O cientista explica-nos que variante é esta, qual pode ser o seu papel no aumento de casos no Brasil ou o que se está a investigar sobre ela. Até ao momento, não há indicação de que tenha sido detectada em Portugal. 

Temos assistido a um aumento no número de casos de covid-19 no Amazonas. Qual é a influência da variante recentemente encontrada nesse estado, a P.1?
Acreditamos que a variante tem um papel no aumento do número de casos, porque a sua frequência tem sido elevada. Ainda poucas amostras da variante foram sequenciadas, mas já foi encontrada numa frequência superior a 50%, ou seja, mais de metade das amostras que foram sequenciadas nesse período de Dezembro eram dessa variante. Até agora, [no meu laboratório] confirmámos seis casos em 11, que encontrámos em Dezembro. E há um grupo de pesquisadores de São Paulo que encontrou mais [foi uma equipa liderada pelo investigador português Nuno Faria, do Imperial College de Londres, que descobriu os primeiros casos da P.1 em Manaus]. Até agora, segundo a informação que tenho, temos 20 casos e são todos do Amazonas [depois da entrevista registaram-se novos casos]. Até ao final de Novembro não tinha sido encontrada, mas em Dezembro já tinha essa frequência. Isso realmente chama muito a atenção!

No entanto, tenho a certeza de que não é o único factor para o aumento de casos. Estamos a trabalhar no Amazonas desde o início da pandemia e temos observado uma diminuição cada vez maior da população em manter as medidas de distanciamento. Muita gente já não usa máscara... Acredito que esse comportamento tenha sido um dos factores, principalmente se nos lembrarmos que a partir da segunda quinzena de Novembro aumenta o número de casos de infecções respiratórias e depois há as festas do final do ano. Aí, certamente diminuiu [a adesão às medidas], porque os casos explodem justamente após o período de incubação ligado ao Natal e ao Ano Novo.

Acreditamos que a variante tem uma importância no aumento de casos, mas não podemos descartar essas outras variáveis. Neste momento, não dá para saber qual é a mais importante.

Há aqui um papel do próprio vírus e do comportamento das pessoas, mas também da gestão da pandemia?
Sim, tudo isso junto. Certamente houve problemas na gestão e aí falo a todos os níveis no Brasil, desde o federal até ao municipal. Houve uma atitude em que muitas pessoas minimizaram o problema. E sabemos que, quando um vírus circula livremente na população, vai evoluir mais rapidamente e acumular mais mutações. Estamos a ver o reflexo de tudo isso.

Esta variante é descendente de uma outra que é dominante no Amazonas…
Os primeiros posts que publicámos há uns dias no [site] Virological suportam essa hipótese. É uma evolução da linhagem B.1.1.28, que é a principal linhagem que circula no Amazonas. Há várias evidências de que isso aconteceu, mas há um ponto-chave que ainda não conseguimos descobrir: ela deu um salto evolutivo muito grande de Novembro para Dezembro, porquê? Algum evento aconteceu, que ainda não conseguimos identificar, e que levou ao seu surgimento. É por isso que estamos a aumentar muito o sequenciamento de amostras desse período.

Há já algumas hipóteses?
A primeira é que tenha sido consequência da circulação descontrolada do vírus, como aconteceu também noutros locais. Outras hipóteses que vamos tentar investigar é se houve infecção de pessoas com um sistema imune debilitado, por exemplo, pessoas que convivem com VIH ou que fazem tratamentos oncológicos. Essas pessoas podem ter uma resposta imunológica menor contra o vírus e ficam mais tempo infectadas. Ao ficarem mais tempo infectadas, isso pode fazer com que o vírus evolua dentro delas mais rapidamente. Estas são algumas hipóteses baseadas noutras informações de outros vírus e que precisamos de investigar agora.

Esta variante pode vir a tornar-se dominante no Amazonas?
Acreditamos que isso está a acontecer, mas é um bocado cedo [para o sabermos] devido ao número de sequências que temos. Mas acreditamos que isso possa acontecer. Uma pergunta importante é se esta variante já circula também noutros estados brasileiros. Por isso, foi feito um alerta nacional para que outros laboratórios que fazem pesquisas similares consigam identificar se a variante está noutros lugares.

Quais são as características desta variante que a tornam preocupante?
Tem algumas mutações iguais às que foram encontradas na variante do Reino Unido e na da África do Sul. Mas também possui outras, o que mostra que não derivou dessas duas. Tudo indica que surgiu de maneira independente no Amazonas, mas com algumas mutações em comum com as variantes do Reino Unido e da África do Sul. Além disso, o que se sabe baseado nas outras variantes é que as mutações na proteína spike [ou da espícula, que é responsável pela entrada do SARS-CoV-2 nas células humanas] podem conferir uma maior transmissão. Isso já foi especulado para a variante do Reino Unido e para a da África do Sul. Para a última já foi especulado um escape dos anticorpos de infecções prévias [ao novo coronavírus].

Para esta [no Brasil], temos essas possibilidades, mas só vamos ter a certeza quando essas experiências forem feitas. Amostras já foram enviadas para Fiocruz [um centro de investigação médica], no Rio de Janeiro, que tem a capacidade de fazer ensaios para se ver se os anticorpos de pessoas que estavam infectadas por outras linhagens conseguem neutralizar a nova variante.

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Coronavírus SARS-CoV-2 NIAID

Portanto, suspeita-se que é mais transmissível?
Temos suspeitas por causa das mutações que possui e que são iguais às do Reino Unido e da África do Sul. Nessas, já se conseguiu fazer uma associação a uma maior transmissão. Ainda não temos como confirmar com esta, mas sugere-se isso.

E a nível do seu impacto na gravidade da doença, há já algumas suspeitas?
Tenho conversado com médicos e eles têm observado um perfil de gente mais jovem infectada, mas ainda não se sabe se é com esta variante. Até ao início da semana, prevemos ter aproximadamente mais 100 genomas de Dezembro e, com esse número, conseguir fazer uma associação com suporte estatístico. Agora, não temos nenhuma evidência que mostre isso.

Há já um caso de reinfecção com esta variante. Pode aumentar essa possibilidade?
Esse caso de reinfecção chamou bastante a atenção. Foi o segundo caso de reinfecção confirmado no Brasil e justamente por essa variante recentemente detectada no Amazonas. Foi uma surpresa grande esse caso sugerir que [a reinfecção] pode acontecer. Mas, como a primeira infecção [dessa pessoa] foi em Março e a segunda em Dezembro, precisamos de ter a certeza se a reinfecção foi por causa de uma queda nos níveis de anticorpos ou se esta variante consegue escapar aos anticorpos produzidos pela primeira [infecção]. É esse experimento que precisamos de fazer em Fiocruz. Chamamos a esse ensaio de “neutralização” e vai ser fundamental. Se demonstrar que o vírus escapa dos anticorpos, existe uma evidência muito forte de que pode causar reinfecção.

Quando vai começar esse ensaio?
A amostra já foi enviada para o Rio de Janeiro. Vai ser isolada e aumentada em laboratório para depois ser “desafiada” contra o soro de pessoas que já tiveram a covid-19 de outras variantes. Se os anticorpos dessas pessoas não conseguirem bloquear a infecção, isso é uma prova de que o vírus consegue escapar dos anticorpos das outras linhagens.

E pode ser importante para se perceber o impacto da variante na eficácia das vacinas?
Sim, estamos em contacto com a Oxford-AstraZeneca, que manifestou preocupação quanto a isso. Esses ensaios de neutralização vão ser feitos em colaboração e passando as informações para a Oxford-Astrazeneca e para outros fabricantes que também tenham interesse.

E a nível das medidas que devem ser tomadas para se controlar esta variante. Têm sido tomadas no Brasil algumas concretamente para isso?
Contra esta variante ou contra o vírus original, as medidas são as mesmas. Deve-se fazer o distanciamento social, assim como reforçar a necessidade da utilização de máscara e da lavagem das mãos. Se tomarmos os cuidados necessários tanto vão funcionar para o vírus original como para um vírus selvagem. Claro que, por conta de um alerta destes, os laboratórios que fazem esta pesquisa têm de aumentar a amostragem se entender se já se espalhou.

Até agora, além do Brasil, esta variante já foi, pelo menos, reportada em mais seis países. Mas já alguns países proibiram os voos provenientes do Brasil por causa da variante. Concorda com este tipo de medidas?
Essas medidas não são 100% eficazes. Quando a variante de Inglaterra foi detectada, já estava praticamente espalhada pelo país inteiro. Mesmo num país que é um exemplo mundial da vigilância genómica, isso não foi capaz de impedir que o vírus se disseminasse pelo país. No início da pandemia, vimos que não deu certo quando os Estados Unidos fecharam as portas à China e a outros países na Europa. Hoje vimos os Estados Unidos como o país com mais casos. Fechar só os voos pode ter algum impacto, mas não é 100% eficaz. Mas entendo a situação e o medo. Pensar em testar mais pessoas seria uma medida inteligente. 

Uma das medidas muito referidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tem sido a monitorização e sequenciação genómica. A nível de sequenciação, qual a capacidade no Brasil?
Com certeza que precisamos de aumentá-la e até já recebi contactos de agências financiadoras do país que estão a estudar aumentar a nossa capacidade de testagem. Temos um problema no Brasil que não são só os recursos, mas também uma dependência de muitos insumos [matérias-primas] importados. No auge da pandemia, sofremos muito com isso porque países como os Estados Unidos tinham insumos nossos cuja produção ficou praticamente toda restrita aos Estados Unidos. Numa situação como esta não podemos só depender de um ou dois países que são produtores principais, mas temos de ter isso localmente.

Temos visto que há uma escassez no fornecimento de oxigénio no Amazonas. Como está essa situação?
Ainda é preocupante. De todas as situações surpreendentes em relação à pandemia, talvez essa seja a que nem consigo acreditar que vivemos. É realmente difícil de pensar que um insumo tão básico como o oxigénio falte num momento como este. Sei que autoridades do Ministério Público brasileiro já iniciaram investigações para identificar possíveis culpados. Não dá para perder vidas por causa de oxigénio! Fico muito triste só de pensar que isso aconteceu.

Que culpados?
Qualquer gestor seja ele a nível federal e estadual ou alguém que deixou de dar um alerta. É difícil identificar um culpado antes de as investigações terminarem. Isso cabe ao Ministério Público. A população precisa de ter uma resposta do porquê de um insumo tão básico ter acabado.

Houve aqui claramente uma fraca gestão da pandemia…
Sim, tinha-se de encarar a doença com a magnitude que tem. Há países, como a Nova Zelândia, que são um exemplo mundial e enfrentaram o problema com a importância que ele tinha. Hoje têm pouquíssimos casos. Também a Suécia deixou o vírus correr esperando uma imunidade de rebanho que não veio. Foram vários erros cometidos e espero que a gente aprenda logo, para que outras situações semelhantes não aconteçam.

Ainda este mês na revista The Lancet Respiratory Medicine foi publicado um artigo que sublinha que os sistemas de saúde no Brasil têm sido muito sobrecarregados nesta pandemia. Tudo isto está relacionado com a gestão da pandemia do próprio Governo de Bolsonaro?
Sim, com certeza. Falando no Amazonas, mesmo antes da pandemia, a saúde já estava fragilizada e trabalhava-se um pouco no limite. É de parar para pensar que um estado do tamanho do Amazonas, onde cabem vários países da Europa, só tenha UTI [unidades de cuidados intensivos] na capital [em Manaus]. É inimaginável! Não vai dar para evacuar pessoas a tempo para a capital e a capital não vai dar conta de atender os pacientes do interior. É uma coisa que historicamente precisamos de resolver. Tem de se repensar todo o sistema de saúde no Amazonas.

Quais são as soluções que sugere?
Além da saúde em si e de mais vagas nos hospitais, temos outros pontos críticos. Falo com gestores de saúde que dizem que, às vezes, até há um hospital, mas não há profissionais. Temos de ter uma política de atracção de profissionais de saúde para o interior do estado. Tem de se ter ofertas de salários muito maiores para as pessoas se sentirem atraídas no interior, mas também oferecer infra-estruturas. Espero que alguma coisa de útil fique e que seja um ensinamento. Possibilidades de pandemias haverá sempre e não podemos continuar a cometer os mesmos erros.

E também tem havido problemas na comunicação.
Sim, tentamos combater ao máximo os discursos de fake news e negacionistas. Até já pessoas da área de saúde me perguntaram algumas coisas que são claramente fake news. Depois há os discursos contra a vacinação e a vacina é a nossa esperança de voltar ao normal. Estes discursos em nada contribuem para um mundo que precisaria de estar mais unido.

Até para que as pessoas possam cumprir as medidas.
Cada um deve cumprir a sua parte. Não vou para a rua sem máscara. Se tiver sintoma não vou chegar perto de outras pessoas. Cada um tem de cumprir o seu papel neste momento e só assim vamos conseguir vencer. Até porque já está claro que a vacinação no mundo inteiro não vai ser algo tão rápida e nos próximos meses não vai acontecer. Ainda vamos ter de conviver muito com essas medidas não farmacológicas e as pessoas vão ter de colaborar cada vez mais.

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Em Manaus, no Brasil, onde já se identificou uma nova variante do coronavírus Bruno Kelly/Reuters

Tem feito a sua parte a nível científico logo desde o início. Em Março do ano passado, sequenciou o primeiro genoma do SARS-CoV-2 no Amazonas. Qual foi o contributo deste trabalho no combate à pandemia?
Esse caso foi interessante e emblemático para nós. Tínhamos tido o primeiro caso no Amazonas dois dias antes de termos feito a primeira sequenciação. Identificámos esse caso que era de uma pessoa que chegou da Espanha. Nesse momento, ainda não tínhamos transmissão sustentada no Amazonas, mas essa pessoa chegava da Espanha, onde a situação já estava muito complicada. Era assintomática e nem seria suspeita, mas como tinha chegado desse país e tínhamos contacto com ela, pedimos para testá-la. Para nossa surpresa, além de ter o teste positivo, tinha uma alta carga viral e com uma grande chance de contaminar outras pessoas.

Fizemos o sequenciamento numa estrutura acabada de ser instalada e nem tínhamos recebido bem o treino ainda – isso até foi feito virtualmente. Mas conseguimos gerar esse genoma de altíssima qualidade e disponibilizámo-lo rapidamente. Fiquei até surpreso por termos conseguido fazê-lo tão rápido e com tanta qualidade!

Isso foi um alerta: mostrámos que estávamos a testar pessoas vindas de São Paulo ou de outros lugares com transmissão no Brasil, mas com esse caso o sequenciamento indicou uma linhagem que estava em Espanha e não a que circulava em São Paulo. Conseguimos estabelecer outras rotas importantes. Pensamos sempre que vai entrar por São Paulo ou Rio de Janeiro, é óbvio que a maioria sim, mas mostrámos também que tinha entrado directo para o Amazonas de outra rota.

Que outros trabalhos está a fazer a nível da pandemia?
Estamos a trabalhar para contar toda a história do Amazonas desde Março até agora. Vai ser o maior trabalho de todos. Vamos estudar informações epidemiológicas e genéticas de todas as linhagens que conseguimos identificar até ao momento.

Quantas existem no Brasil?
A última vez que vi esse dado tínhamos cerca de 30 linhagens principais, mas dentro de cada linhagem existem várias variantes. A maioria delas não vai ter a mesma importância daquela que encontrámos agora.

O que é urgente saber agora sobre essa variante?
O mais urgente é saber se é capaz de escapar dos anticorpos. Se isso for confirmado, escapa de infecções prévias. Isso é extremamente preocupante por causa da vacinação. De qualquer maneira, continuamos a investigar para saber qual é a frequência dela no Amazonas e também se temos outras. Nunca podemos pensar que esta será a única nova variante.

Começou já a vacinação em Manaus, como tem corrido?
Ainda está muito incipiente. Não temos vacinação no país inteiro para a população que necessita. É muito pequeno o número de pessoas vacinadas, o que reforça o facto de as medidas de distanciamento terem de permanecer. Há a expectativa de que a vida vai ser outra com a vacina, mas isso é após todo o mundo ser vacinado.

Não tenho informações detalhadas sobre o plano de vacinação [no Brasil]. O plano é uma responsabilidade do Plano Nacional de Imunizações e o que foi divulgado era que seria dada prioridade a grupos de profissionais de saúde na linha da frente, assim como aos idosos. As notícias dizem de que não se irá fornecer o insumo farmacêutico para a produção local e que a China ainda está a fazer essa negociação com o Brasil. Aquilo que se sabe pela imprensa local é que o cronograma brasileiro está atrasado. É importante reforçar ainda mais as medidas de controlo, porque não temos um cenário de vacinação em massa no Brasil para as próximas semanas e até meses.

Como investigador, como tem vivido esta pandemia?
Não tem sido nada fácil. Do ponto de vista de pesquisa, tem sido um desafio muito grande. É um desafio que eu e outros colegas nos preparámos ao longo da vida, mas ninguém imaginava nada desta magnitude. No meu laboratório hoje estamos a chegar a dez mil exames de PCR em tempo real [por dia]. E o meu laboratório não é de rotina nem é uma central para fazer este tipo de trabalhos. A mesma equipa que faz o sequenciamento é a mesma que faz os diagnósticos. Quando a situação agravou muito no ano passado, entre Abril e Junho, praticamente só fizemos diagnósticos e não fizemos nada de pesquisa. Naquele momento, a gente precisou de ajudar a salvar vidas e a conter a disseminação do vírus. Depois, voltámos a fazer pesquisa. Agora, a sobrecarga aumentou de novo, mas a gente conseguiu estar mais equipado e preparado. Espero que consigamos levar a duas coisas ao mesmo tempo para não se perder a informação divulgada através das pesquisas.

Do ponto de vista pessoal, tem sido muito difícil. Perdi o meu pai para a covid-19 em Maio do ano passado e a minha avó nunca se recuperou e morreu em Outubro. Perdi duas das pessoas mais próximas de mim. Assim como eu, outros colegas meus perderam parentes. Hoje [no dia da entrevista] morreu um colega da Universidade Federal do Amazonas. A gente está sempre tendo perdas de pessoas próximas. Tem sido muito difícil do ponto de vista pessoal, mas nem conseguimos ter tempo de viver o luto. A gente diz no Brasil que “a ficha não cai na hora, mas vai cair depois”. Talvez quando conseguir relaxar um pouco, vou conseguir finalmente viver esse luto.