Morreu Larry King, o entrevistador que gostava dos entrevistados

O apresentador estava internado com covid-19. Era um dos rostos mais conhecidos da televisão norte-americana.

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O célebre rosto da CNN, que apresentou durante 25 anos o programa Larry King Live no canal de cabo de notícias, estava internado com covid-19 Reuters/Mario Anzuoni
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Larry King com Madonna em 1999 Reuters/Handout .
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O apresentador com o presidente russo Vladimir Putin em 2000 Reuters/BRENDAN MCDERMID
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Larry King com o presidente Bill Clinton e o vice-presidente Al Gore na Casa Branca em 1995 Reuters/STR New

O apresentador norte-americano Larry King, um dos rostos mais famosos da televisão global, morreu este sábado, com 87 anos, no Cedars Sinai Medical Center, em Los Angeles, de acordo com uma publicação na sua conta oficial do Twitter assinada pela Ora Media, a empresa de produção audiovisual que o próprio criou em 2012.

O célebre rosto da CNN, que apresentou durante 25 anos o programa Larry King Live no canal de cabo de notícias, estava internado com covid-19, depois de ter revelado um teste positivo no início do mês.

O site da televisão norte-americana lembrava que Larry King realizou mais de 50 mil entrevistas, com todo o tipo de rostos que fazem as notícias. Passaram pelo Larry King Live todos os presidentes norte-americanos em exercício desde Gerald Ford até o programa ter terminado em Dezembro de 2010. O seu estilo, quase nunca confrontacional ou agressivo, antes mostrando empatia com quem se sentava do outro lado da mesa, tornou-se, tanto como os suspensórios que usava sobre uma camisa com mangas arregaçadas, uma imagem de marca do programa. Deixava falar os entrevistados sem os interromper: “Nunca aprendi nada enquanto falava”, gostava de dizer o apresentador, que se gabava de não preparar especialmente as entrevistas e que também não fazia questão de ser visto como um jornalista, escrevia hoje o obituário do New York Times. Larry King chamava ao que fazia “infotainment”, uma mistura de informação e entretenimento. 

Entrevistou os famosos, mas também os caídos em desgraça e malfeitores. Richard Nixon, Mikhail Gorbachev, Yasser Arafat ou Barack Obama, figuras da realeza, criminosos como a assassina psicopata Sante Kimes, vítimas de desastres naturais, especialistas em ovnis, mas também George Clooney, Al Pacino, Dalai Lama, Lady Gaga, Bill Gates, Mick Jagger, Angelina Jolie, Monica Lewinsky, Madonna, todo o tipo de estrelas.

King iniciou a sua carreira como radialista na Florida, na década de 1950, ganhando relevância a partir de 1978, quando começou a apresentar o programa de rádio The Larry King Show, no qual entrevistava convidados e de seguida atendia chamadas dos ouvintes com perguntas. De 2012 a Fevereiro deste ano, King apresentou o programa Larry King Now, transmitido pela Hulu, onde entrevistava diversas personalidades num formato semelhante ao programa que o tornou famoso.

“Os arquivos do Larry King Live são um tesouro da história da emissão, apresentando frente-a-frentes com muitas da mais famosas personalidades e pessoas importantes das últimas duas décadas e meia, tal como indivíduos obscuros que foram lançados para debaixo dos holofotes por circunstâncias extraordinárias”, escreve o site da CNN. "O jovem brigão de Brooklyn fez história da rádio à televisão. A sua curiosidade pelo mundo deu origem a uma carreira premiada na radiodifusão, mas foi o seu espírito generoso que trouxe o mundo até ele. Estamos muito orgulhosos dos 25 anos que passou na CNN, onde as suas entrevistas com ‘fazedor de notícias’ colocaram o canal no palco internacional”, disse o presidente da CNN, Jeff Zucker, num comunicado citado pelo canal. 

​Filho de imigrantes judeus europeus, de uma lituana e de um ucraniano, Lawrence Harvey Zeiger nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, em 1933. Nunca foi para a faculdade e mudou de nome segundos antes de ir para o ar pela primeira vez numa rádio em Miami como DJ — tornou-se Larry King por causa de um anúncio a uma bebida alcoólica, o King's Wholesale Liquor.

Essa paixão pelo meio de comunicação onde começou a carreira esteve sempre homenageada na tecnologia que usava para fazer as suas entrevistas no Larry King Live, um microfone clássico, dos dias da rádio. Na Florida, foi ainda locutor desportivo na década de 1960 e chegou a escrever como colunista para o Miami Herald, antes de se tornar uma celebridade da rádio com o Larry King Show com o gesto pioneiro de receber as chamadas dos ouvintes. Em 1985, Ted Turner — o patrão e fundador da CNN — desafiou Larry King a fazer em televisão aquilo que já fazia em rádio: falar com pessoas e ouvi-las. O resto, como escrevemos aqui em 2010 na altura do último Larry King Live, é história.