Políticos farão parte dos grupos prioritários para serem vacinados

“Até termos dois terços da população vacinada, os comportamentos de protecção têm de se manter”, avisa o coordenador da estratégia de vacinação contra a covid-19 em Portugal. E acredita que tal possa acontecer já no “princípio do Verão”.

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Vacina da Pfizer/BioNTech Daniel Rocha

A decisão de incluir titulares de órgãos de soberania nos grupos prioritários para receber a vacina contra a covid-19 “está em revisão” e está a ser formulada “uma proposta para que possam ser incluídos entre os prioritários porque, obviamente, é essencial estarem protegidos”, afirmou o coordenador do plano nacional de vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, em entrevista ao Expresso.

“A Direcção-Geral da Saúde [DGS] já fez uma primeira proposta e dentro da task-force está a trabalhar-se no sentido de chegar a uma definição final. Os titulares de altos cargos inserem-se aqui. Mas não só”, explicou o coordenador. Neste grupo inserem-se também os bombeiros que trabalham na emergência pré-hospitalar e transporte de doentes urgentes e de membros das Forças Armadas – “não basta ser militar para entrar neste primeiro grupo”. São cerca de 16 mil pessoas, diz.

“O primeiro critério é este: qual é a participação destas entidades na protecção para a pandemia e na execução do plano de vacinação? O transporte de vacinas, por exemplo, é feito por elementos da PSP e da GNR, e essas pessoas são essenciais”, argumenta Francisco Ramos. De qualquer forma, a primeira prioridade “foi para os profissionais de saúde, funcionários e residentes em lares”.

Quanto ao pedido de alguns professores para serem incluídos nos grupos prioritários de vacinação, Francisco Ramos justifica que a única razão para não atender a estes pedidos “é a escassez de vacinas”. “Com certeza que terão e haverá certamente mais de um milhão de portugueses que mereceriam ser considerados nesta fase. Mas não há vacinas disponíveis e temos mesmo de fazer escolhas, identificando os que são muito prioritários.”

Apesar de sentir que é positivo que os portugueses querem ser vacinados, o coordenador do plano de vacinação contra a covid-19 alerta que “o facto de já existirem vacinas e haver pessoas imunizadas não permite reduzir as regras de segurança e prevenção. “Até termos dois terços da população vacinada, os comportamentos de protecção têm de se manter”, avisa. E acredita que tal possa acontecer já no “princípio do Verão”.

Uma coisa é certa: a vacinação não “será em tempo útil para ajudar nesta vaga”, já que poucos portugueses estão vacinados. Na terceira semana de Fevereiro, diz Francisco Ramos, todos os utentes e profissionais de lares devem estar vacinados (com excepção dos lares onde haja surtos). Na próxima semana, acredita que “cerca de dois terços dos prioritários do SNS e cerca de 15% dos profissionais de saúde” terão a vacinação completa.