Bolsas Gulbenkian Mais: segunda fase de candidaturas aberta até Julho

A Fundação Calouste Gulbenkian já apoiou, este ano lectivo, 200 estudantes. Para a segunda fase, não há um limite de bolsas a atribuir: o número variará em função da procura. Os apoios são de 1500 e 3000 euros.

Foto
Unsplash

Pela primeira vez, há uma segunda fase de candidaturas às Bolsas Gulbenkian Mais — mas esta não é a única novidade no programa de apoios da Fundação Calouste Gulbenkian. Agora, as bolsas serão atribuídas aos alunos de qualquer ano do ensino superior (e não só àqueles que ingressaram no primeiro ano, como aconteceu na primeira fase e nas edições anteriores). E o prazo foi alargado: as candidaturas foram abertas em Novembro de 2020 e estendem-se até dia 1 de Julho. 

Esta segunda fase “estará aberta em permanência para os alunos do ensino superior com as melhores notas que se encontrem em situações de emergência e risco de abandono escolar iminente”, explica Luís Plácido, responsável pelas Bolsas Gulbenkian Mais.

Há algumas condições de elegibilidade: para os caloiros, a “nota de candidatura ao ensino superior no curso em que está inscrito deve ser igual ou superior a 17 valores”; essa condição estende-se igualmente aos alunos do segundo ano e seguintes, que também deverão obter uma média no ano lectivo anterior de 14 ou mais valores (com um valor mínimo de 54 ECTS obtidos). Para além disso, “situações de carência económica grave, súbita ou pontual (perda de rendimentos do agregado familiar, despedimentos, layoff, etc.)” devem ser comprovadas através da documentação exigida no regulamento. Os candidatos devem ainda ter “nacionalidade portuguesa ou estrangeira com residência em Portugal há pelo menos dois anos”.

O valor do apoio, diz Luís Plácido, “é igual ao da primeira fase”: 3000 euros para estudantes deslocados das suas residências e 1500 euros para os que estudam na cidade onde vivem. Esses valores são repartidos por dez mensalidades, referentes à duração do ano lectivo; assim sendo, “um bolseiro que receba uma bolsa em Fevereiro receberá um apoio durante cinco meses, até terminar o ano lectivo, de Fevereiro a Julho”, esclarece.

Só na primeira fase concorreram 633 alunos, “o maior número de candidaturas alguma vez recebido” pelo programa da fundação. Ao todo, passaram a ser apoiados 200 — o que traduz “um reforço” nas Bolsas Gulbenkian Mais, já que, “habitualmente”, eram atribuídas 50 bolsas por edição. Para a segunda fase, a Gulbenkian não fixou um número: essa disponibilidade “estará alinhada com a procura e os pedidos serão analisados caso a caso”.

Mas o crescimento da procura por este tipo de apoios (e o aumento do apoio efectivo) tem um motivo menos bom por trás: “a crise pandémica”. A pandemia da covid-19 evidenciou “ainda mais as carências económicas de famílias desfavorecidas” e mostrou ser necessária a criação de apoios para a “classe média, que de repente se vê com uma perda súbita de rendimentos”, diz Luís Plácido. O responsável pelo projecto acredita, por isso, que as Bolsas Gulbenkian Mais “ajudam a evitar situações de risco iminente de abandono de estudos e aliviam a ansiedade de estudantes e famílias”.

“Recebemos muito mais candidaturas do que em anos anteriores e não só reforçámos o número de bolsas disponíveis devido a essa procura, como aumentámos o valor das bolsas”, frisa. É que as bolsas são renovadas ano após ano, até ao final do mestrado, “caso os bolseiros tenham um bom desempenho académico”. Assim, houve um maior investimento da Gulbenkian: “Isto significa que, este ano, investimos meio milhão de euros e que iremos assumir um compromisso de 2,5 milhões de euros nos próximos cinco anos.” Actualmente, indica Luís Plácido, há 350 alunos apoiados pelo projecto: desses, 150 renovaram a bolsa dos anos anteriores e 200 “da primeira edição deste ano lectivo”.

A edição deste ano da Bolsa Gulbenkian Mais conta com o apoio do Programa Vinci para a Cidadania, do grupo Vinci.