Duplo ataque suicida causa mais de 30 mortos e 100 feridos no Iraque

Ataque ainda não foi reivindicado, mas autoridades suspeitam que o Daesh seja responsável. Número de vítimas pode aumentar devido à gravidade dos feridos. Papa Francisco fala em “acto de brutalidade sem sentido”.

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Reuters/THAIER AL-SUDANI

Um duplo atentado suicida causou pelo menos 32 mortos e deixou mais de 110 pessoas feridas num mercado em Bagdad, no Iraque. De acordo com as autoridades iraquianas, dois atacantes com coletes de explosivos fizeram-se explodir num mercado aglomerado na Praça Tayaran, no centro da capital iraquiana. 

As autoridades iraquianas disseram que o primeiro atacante fingiu sentir-se mal no meio do mercado, para que muitas pessoas fossem em seu socorro, detonando de seguida o colete de explosivos. O segundo atacante fez-se explodir momentos depois.

O Ministério da Saúde iraquiano declarou que todos os hospitais e médicos da capital estão mobilizados para tratar os feridos. É expectável que o número de mortos possa continuar a aumentar nas próximas horas, tendo em conta a gravidade dos feridos. 

​Após o duplo atentado, a Zona Verde – protegida militarmente e onde estão as embaixadas – foi encerrada por precaução. A capital iraquiana está em alerta máximo e a polícia fechou várias estradas.

O Papa Francisco enviou as condolências ao Presidente iraquiano, Barham Salih, condenando um "acto de brutalidade sem sentido”. O líder da Igreja Católica, que em Março tem uma visita planeada ao Iraque -a primeira viagem de um Papa ao país - demonstrou ainda a solidariedade aos familiares das vítimas e disse esperar que os iraquianos consigam superar a violência com “fraternidade, solidariedade e paz”. 

Até ao momento, o ataque ainda não foi reivindicado, no entanto, o general Kadhim Salman disse à Reuters que “grupos terroristas do Daesh podem estar por trás do ataque”. Desde que o grupo jihadista foi derrotado no Iraque em 2017, os ataques suicidas com recurso a bombas têm sido raros no Iraque. 

O último atentado suicida deu-se em 2018, também na Praça Tayaran, causando a morte de 35 pessoas em Janeiro desse ano. 

Em 2017, após combates que duraram três anos e contaram com a ajuda de uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos e com milícias apoiadas pelo Irão, as autoridades iraquianas declararam a vitória sobre o Daesh.

Contudo, apesar de derrotado, o Daesh mantém uma rede de operacionais no Iraque, com o grupo jihadista a tentar reagrupar-se no país, mantendo células activas em regiões montanhosas ou desertas, de onde tem levado a cabo alguns ataques de menor dimensão. 

Os Estados Unidos têm vindo a retirar parte das suas tropas no Iraque, reduzindo o seu contingente para 2500 soldados. Esta saída progressiva das forças norte-americanas, com o Exército iraquiano a assumir o comando do combate ao jihadismo, leva os analistas a temerem que o Daesh consiga ganhar força no país. 

“O Daesh vai tentar aproveitar para perturbar a vida diária e demonstrar que é ainda é relevante, capaz de usar violência extrema apesar da sua derrota territorial”, disse o analista iraquiano Sajd Jiyad, do think tank Century Foundation, citado pelo The Washington Post.

“Estes ataques revivem a memória de quando os ataques contra civis eram comuns. O Governo precisa de restaurar a confiança rapidamente e mostrar que não vai permitir que os ataques com bombas do Daesh não se vão tornar frequentes novamente”, acrescentou.

O atentado acontece dias depois de o Governo iraquiano ter decidido adiar as eleições legislativas de Junho para Outubro. O primeiro-ministro, Mustafa al-Kadhimi, que chegou ao poder em Maio de 2020, prometeu eleições antecipadas para dar resposta à enorme vaga de protestos. Nos últimos dois anos, mais de 500 pessoas morreram após as forças de segurança iraquianas usarem munições e gás lacrimogéneo contra manifestantes.