BCE pede mais rapidez aos governos no lançamento do fundo de recuperação

O efeito na economia das novas medidas de confinamento adoptadas pelos governos da zona euro está a preocupar Christine Lagarde e os seus pares, que querem a ajuda financeira da União Europeia a chegar o mais rapidamente possível ao terreno.

Foto
Reuters/KAI PFAFFENBACH

Preocupados com a ameaça que a mais recente vaga da pandemia constitui para a retoma económica na Europa, os responsáveis do Banco Central Europeu (BCE) apelaram esta quinta-feira a que os governos acelerem a ratificação e o lançamento do fundo de recuperação e resiliência, o principal instrumento comum europeu de combate à crise económica.

Sem surpresa, a autoridade monetária da zona euro não anunciou, no final da reunião do conselho de governadores, qualquer nova medida. Na reunião anterior, em Dezembro, já tinha reforçado e prolongado os estímulos monetários que oferece à economia, nomeadamente o programa de compra de dívida e as taxas de juro nulas ou negativas que aplica no financiamento aos bancos.

No entanto, aquilo que os responsáveis do banco central decidiram fazer foi reforçar o tom de urgência no seu discurso, nomeadamente na altura de passar mensagens aos governos da zona euro. Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, Christine Lagarde, para além de reafirmar a intenção de manter vivos os estímulos que o BCE dá à economia, pediu aos Estados membros que “acelerem o processo de ratificação, que finalizem os seus planos de recuperação e resiliência rapidamente e que lancem os fundos para que sejam usados em despesa pública produtiva”.

Os líderes europeus chegaram a acordo no decorrer do ano passado para o lançamento de um fundo de recuperação no valor de 750 mil milhões de euros, com 390 mil milhões a serem entregues aos Estados membros a fundo perdido (cerca de 15 mil milhões a Portugal). No entanto, o processo de ratificação ainda decorre e apenas a meio do presente ano se pode esperar que o dinheiro comece a ser efectivamente utilizado.

A mensagem de maior urgência transmitida pelo BCE pode estar relacionada com o facto de a evolução mais negativa da pandemia e o agravamento das medidas de confinamento a que se assiste agora em vários países da zona euro (com é o caso de Portugal) estarem a ameaçar as perspectivas de retoma que existiam há algumas semanas.

Christine Lagarde disse que, para já, as previsões feitas pelo BCE para a taxa de crescimento da zona euro se mantêm, mas alertou que “o ressurgimento de infecções de coronavívus e a imposição em diversos países de medidas de confinamento mais prolongadas e restritivas estão a afectar a actividade económica”.