Novo máximo em Portugal: 218 mortes por covid-19

Há mais 10.455 novos casos, 5012 em Lisboa e Vale do Tejo, um novo máximo na região. Casos activos diminuem pela primeira vez desde 29 de Dezembro, mas internamentos continuam a aumentar.

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Paulo Pimenta

Morreram mais 218 pessoas com covid-19 em Portugal na segunda-feira, um novo máximo diário e a primeira vez que o número ultrapassa as duas centenas em 24 horas. O registo do boletim desta terça-feira da Direcção-Geral da Saúde (DGS) representa um aumento de 30% face ao máximo de 167 óbitos estabelecido no dia anterior.

Em termos globais, o número de vítimas mortais aumentou 2,41%, para um total de 9246 mortes desde o início da pandemia. O relatório de situação desta terça-feira indica que foram detectados mais 10.455 casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, elevando para 566.958 o total acumulado de infectados.

Com um novo aumento do número diário de mortes, o país vai já em sete máximos registados nos últimos nove dias, estando a registar mais de uma centena de mortes a cada 24 horas há já 12 dias, desde o boletim de 8 de Janeiro, quando o país ultrapassou pela primeira vez as cem mortes (118). Em média, morreram com covid-19 em Portugal 126 pessoas por dia em 2021.

Nos primeiros 18 dias deste ano o SARS-CoV2 é responsável por 2274 óbitos — um valor cumulativo que demorou 221 dias a ser alcançado desde o dia da primeira morte confirmada, a 16 de Março, até 22 de Outubro, quando o país chegou ao total de 2276 vítimas mortais.

Apesar deste aumento de mortes, a taxa de letalidade global da doença mantém-se estável, fixando-se agora em 1,63%. Aumenta para 9,8% no caso de doentes com 70 ou mais anos, o grupo etário em que se encontram 8116 das 9246 mortes (perto de 88%).

Cerca de 69% das mortes a lamentar na segunda-feira são de doentes com 80 ou mais anos (151). Os dados da DGS indicam ainda a morte de dois homens dos 30 aos 39 anos, o que aumenta para 32 o número de vítimas mortais com menos de 40 anos. Há também registo de 42 mortes na faixa etária dos 70 aos 79 anos; 16 dos 60 aos 69 anos; e sete dos 50 aos 59 anos.

Os internamentos aumentaram pelo 18.º dia consecutivo e voltaram a atingir um novo máximo, numa altura em que os serviços e profissionais de saúde do país já estão muito próximo do colapso. Há agora mais 5291 pessoas pessoas hospitalizadas, mais 126 do que no dia anterior, sendo que há também mais seis que estão nos cuidados intensivos (670). 

O boletim da DGS indica que há mais 10.282 pessoas recuperadas. É a primeira vez que este indicador ultrapassa os 10 mil, sendo por isso um novo máximo registado no país que supera os 8477 verificados no relatório de situação de 16 de Janeiro. O total de recuperações no país sobe assim para 421.871. Excluindo estes casos e os óbitos, há agora 135.841 casos activos em Portugal, menos 45 do que no dia anterior: a primeira descida nas infecções activas desde 29 de Dezembro.

Dos 10.176 casos registados, Lisboa e Vale do Tejo foi a região com mais infecções identificadas, com 5012 – um novo máximo da região que corresponde a 47,9% do total nacional de novas infecções, a maior fatia da região desde 7 de Outubro, quando foi responsável por 52,3%. Seguem-se o Norte, com 2970 casos; o Centro, com 1605 novas infecções; o Alentejo, com 531 casos; o Algarve, com 198 infecções; a Madeira, com 100 casos; e os Açores, com 39.

Assim como nos novos casos, Lisboa e Vale do Tejo soma a porção maior, com 88. Há ainda registadas mais 55 mortes no Centro, 51 no Norte, 17 no Alentejo, cinco no Algarve e duas na Madeira.

O Norte continua a ser a região mais afectada desde o início da pandemia, com 3811 mortes em 261.287 casos. Segue-se Lisboa e Vale do Tejo, com 3332 vítimas mortais e 191.718 infecções identificadas.

Já o Centro tem 76.173 infecções e 1495 mortes. O Alentejo totaliza 18.989 casos e 431 mortes. No Algarve, há 12.897 casos de infecção e 127 óbitos. A Madeira regista 28 mortes e 2844 casos de infecção desde o início da pandemia e os Açores registam 3050 casos e 22 mortes.

Os dados da incidência a 14 dias por concelhos, actualizados pela DGS na segunda-feira, indicam que há em Portugal mais 98 concelhos em “risco extremamente elevado” de contágio: são agora 155, um aumento de 170% em comparação com os 57 da segunda-feira da semana passada. Isto significa que mais de metade dos concelhos do país está agora no nível mais elevado de risco (mais de 960 casos por 100 mil habitantes). Cuba, distrito de Beja, é o que tem a maior taxa de incidência. Com as contas feitas a 100 mil habitantes (a forma de a DGS comparar concelhos com diferentes realidades populacionais), tem o equivalente a 5658 novos casos por cada cem mil habitantes, a 14 dias.