Associação de pais da Escola de Dança do Conservatório Nacional pede espaço alternativo para os alunos

Aulas académicas e artísticas estão dispersas por quatro edifícios, alguns sem condições, o que obriga alunos a andarem de lado para lado. Pais e direcção temem que a situação se arraste por anos, uma vez que as obras no Convento dos Caetanos estão paradas há um ano.

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A escola tem neste ano lectivo 160 alunos miguel madeira/arquivo

Quando foi lançado o primeiro concurso para a reabilitação do Convento dos Caetanos, casa do Conservatório Nacional desde o século XIX, as escolas de Música e de Dança tiveram de ser transferidas para outros espaços: a Escola de Música e os seus 750 alunos foram provisoriamente para a Secundária Marquês de Pombal, em Belém, e a Escola de Dança foi dividida por quatro espaços, alguns dos quais sem as condições necessárias ao ensino da dança. Para a associação de pais desta escola artística, a situação não pode prolongar-se por mais um ano lectivo e pede uma solução “urgente” para que o próximo ano decorra com “condições de segurança” para alunos, professores e funcionários.

Embora não seja o edifício sede da Escola de Dança do Conservatório Nacional, as instalações do Convento dos Caetanos acolhiam uma parte significativa das aulas de 160 alunos. Perderam quatro estúdios, dois balneários, salas de aula, refeitório, lavandaria, guarda-roupa. A solução encontrada foi distribuir a actividade lectiva – académica e artística – por quatro espaços: numa área nas traseiras do Convento dos Caetanos (onde mantiveram dois estúdios), no edifício sede, na Rua João Pereira da Rosa, na Academia das Ciências e num estúdio de dança, nas Amoreiras. O que preocupa agora pais e direcção é o facto de não verem um regresso para breve às renovadas instalações do Convento dos Caetanos, uma vez que as obras estão paradas há um ano, devido a um litígio entre o empreiteiro e a Parque Escolar

“Esqueceram-se que um terço do edifício era nosso, da dança e que ficamos sem uma série de serviços que tínhamos naquele edifício”, diz a presidente da associação de pais, Maria João Ribeiro. E os espaços alternativos que foram encontrados não reúnem condições para continuar a acolher aulas, anui o director da escola. “Neste momento estamos numa situação muito precária e com previsibilidade de se prolongar por dois, três, quatro anos”, diz Paulo Ferreira. 

Na escola “das 8h da manhã às 8h da noite”

É no edifício sede que decorre uma “parte substancial” das aulas de formação geral e, nos dois estúdios, uma parte das práticas. No entanto, nota o director, aquele “é um edifício muito limitado”. “Os estúdios estão bastante degradados. Durante estes dois anos, a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste) arranjou-nos algumas coisas. Estão a terminar a renovação de dois balneários, pela qual aguardávamos há pelo menos dez anos”, observa.

Nas traseiras do edifício da Rua dos Caetanos, onde ainda têm dois estúdios em funcionamento, as instalações são mantidas pela Escola de Dança “com higiene, pinturas e arranjos, mas os balneários estão impraticáveis”. “Os alunos têm de vir vestidos de casa porque não têm condições nenhumas para se prepararem ali”, nota Paulo Ferreira. 

A Parque Escolar, empresa pública responsável pela reabilitação das escolas, está a custear a renda de um antigo estúdio de dança nas Amoreiras, que, segundo o director, também não oferece condições de segurança aos alunos, e do qual deverão sair no final do ano lectivo.

As aulas teóricas decorrem, assim, entre o edifício sede e a Academia das Ciências, e as práticas no espaço das Amoreiras, nos dois estúdios nas traseiras do Convento dos Caetanos e nos dois estúdios do edifício sede. “Não há um chuveiro para os alunos tomarem banho. Há uma sanita e um lavatório para dezenas de alunos. Condições que já eram críticas agravaram-se muito mais”, diz, por sua vez, a presidente da associação de pais.

Esta dispersão obriga os 160 alunos, do 5.º ao 12.º ano a terem de andar a saltar de sítio para sítio. Para as Amoreiras, há um autocarro que assegura essas viagens. “Temos de ter autocarros para transportar os alunos, o que fez com que os horários tivessem de ser esticados. Os miúdos estão na escola das 8h da manhã às 8h da noite”, nota o director.

Além disso, perde-se também o “espírito de comunidade” da escola. “Uma coisa que esta escola tinha era o espírito de comunidade. Parte da formação dos alunos mais novos nas aulas artísticas é assistir aos exames de dança dos mais velhos. Isso perdeu-se”, nota Maria João Ribeiro. 

“Um apoio a curto e médio prazo”

Para o director, deveria ter sido encontrada uma solução semelhante à da Escola de Música, que, mesmo não tendo as condições ideais, foi transferida integralmente para a Marquês de Pombal. Na altura das negociações, Paulo Ferreira não era ainda director, mas sabe que não foi possível encontrar um espaço que respondesse às necessidades da Escola de Dança. “Precisávamos de cinco estúdios de dança à séria, com caixa-de-ar, linóleo, barras, espelhos. Tudo o que o nosso ensino profissional exige. Não havia nenhuma escola que tivesse essas condições e que tivesse espaço para as criar”, diz o director. 

A associação de pais diz já ter reunido com a Parque Escolar, Câmara de Lisboa e deputados da Assembleia da República, mas, até agora, não foi encontrado nenhum espaço alternativo.

Questionada pelo PÚBLICO, a Parque Escolar refere que o novo concurso público para a conclusão da obra “está a ser finalizado, prevendo-se para breve o seu lançamento”, sem contudo avançar datas. E, quanto à Escola Artística de Dança, “apesar da pesquisa feita em conjunto com a direcção da escola, não foi possível uma solução que concentre todos os alunos no mesmo local”, responde esta entidade. 

Para a associação de pais, essa não pode ser uma possibilidade. “O que pedimos é um apoio a curto e médio prazo. Não podemos manter os nossos alunos mais quatro ou cinco anos nestas condições”, nota Maria João Ribeiro.