Melania despede-se da Casa Branca com discurso que a afasta de Trump

“Escolham sempre o amor ao ódio, a paz à violência, os outros a vós próprios.” A mensagem altruísta da despedida de Melania Trump revela uma primeira-dama de costas voltadas ao ainda Presidente Donald Trump.

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“Ela é Melania – mantém o foco no que se segue” Reuters/CARLOS BARRIA

Nos seus últimos dias como primeira-dama, Melania Trump manteve-se afastada da Ala Oeste, onde o Presidente cessante tem passado o tempo, relata o The Washington Post, adiantando que a ex-modelo não exibe “sinais de qualquer desapontamento pela forma como a era do presidente está a terminar”, envolta em polémica e com um segundo — e histórico — processo de impeachment aprovado. Em vez disso, Melania tem-se ocupado com questões práticas relacionadas com a mudança para a Florida, como encontrar uma escola para o filho, Barron. Talvez para esquecer o facto de ser, na despedida, a primeira-dama com a menor popularidade de sempre, estando num mínimo histórico, desde que este parâmetro é avaliado, com uma taxa de aceitação de apenas 47%, segundo o Centro Roper; Michelle Obama, por comparação, deixou o cargo com uma aprovação de 69%. 

E, se dúvidas restassem de que a cessante primeira-dama pretende dissociar-se da imagem do marido, um discurso no sentido oposto a tudo o que Donald Trump representou ao longo dos últimos quatro anos foi apresentado na segunda-feira.

A mensagem de quase sete minutos, publicada a dois dias da tomada de posse do Presidente eleito Joe Biden, começa com Melania a expressar a sua gratidão pelos militares, forças de autoridade e prestadores de cuidados. “Tenho sido inspirada por americanos incríveis que, por todo o nosso país, elevam as nossas comunidades através da sua amabilidade e coragem, bondade e graciosidade”, diz. Nestas notas de agradecimento, a primeira-dama não esqueceu os que se encontram na linha da frente do combate à covid-19: “Enfermeiros, médicos, profissionais de saúde, operários, camionistas, e tantos outros que trabalham para salvar vidas.”

Paralelamente, Melania Trump destaca como, “no meio destas dificuldades, temos visto o melhor da América brilhar”. “Os estudantes fizeram cartões e entregaram mercearias aos nossos cidadãos idosos. Os professores têm trabalhado duas vezes mais para manter os nossos filhos a aprender. As famílias juntaram-se para fornecer refeições, mantimentos, conforto e amizade aos necessitados”, enumera.

E, nesse melhor da América, a primeira-dama não esconde o desejo de se afastar da violência que marcou os últimos dias da Administração Trump, com a invasão do Capitólio e uma capital federal em estado de sítio para receber um novo Presidente sem incidentes. “Em todas as circunstâncias, peço a cada americano que seja um embaixador do Be Best (a iniciativa promovida por Melania Trump que se focou no bem-estar dos jovens, contra o cyberbullying e o uso de drogas). Que se concentrem no que nos une. Que se elevem acima do que nos divide.” Em resumo: “Escolham sempre o amor ao ódio, a paz à violência, os outros a vós próprios.”

Concentrada no futuro

Segundo o The Washington Post, várias pessoas que estiveram em contacto com Melania disseram que a ex-modelo está consciente das intensas críticas desde o mortal motim do Capitólio de 6 de Janeiro, mas que, ao contrário do seu cônjuge, ela parece completamente inabalável. Aliás, é referido que Melania teria ficado feliz por assistir à cerimónia de juramento do Presidente eleito Joe Biden.

No entanto, mais uma vez mostra o sentido pragmático e, em vez de se debruçar sobre o que poderia ter sido, tem-se concentrado no que pode controlar: coreografar a sua própria saída, tentar solidificar o seu legado como primeira-dama e tratar de que a sua iniciativa Be Best tenha futuro.

Além disso, rumores indicam que tem tratado de detalhes que permitam facilitar a mudança dos Bidens. “Ela é Melania, mantém o foco no que se segue”, descreveu um dos funcionários da Casa Branca ouvidos pelo jornal norte-americano.