É “demolidor” ver médicos a decidir “quem vive e quem morre”. Baptista Leite quer escolas fechadas e mais confinamento

O médico e deputado do PSD defende o confinamento “absoluto” e carrega nas palavras: “O cenário é de guerra e estamos a perder. Está na hora de dizer basta.”

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Ricardo Baptista Leite Nuno Ferreira Santos

O deputado do PSD e médico Ricardo Baptista Leite fez publicações nas redes sociais sobre o que testemunhou no serviço de urgência do Hospital de Cascais, no espaço onde tratam doentes com covid-19 e suspeitos, e que considera ser uma “amostra” do que se verifica no país. Diz que “nunca” assistiu “a tantas mortes” na sua vida profissional, “num tão curto espaço de tempo como” naquele dia.

Relata ser “demolidor” ver médicos a terem de “decidir priorizar quem são os doentes que vão ter acesso a ventilação e quem não vai”. “A determinar no fundo quem vive e quem morre”, diz, num curto vídeo. Por isso apela: “Depende de cada um de nós ficar em casa, mas este confinamento não está a funcionar.”

“Temos de esmagar a curva de novas infecções”, afirma.

Para este deputado e médico, não se pode esperar 15 dias, sendo “fundamental aumentar o confinamento já”: “Por três semanas, fazer um confinamento como o que tivemos em Março [de 2020]. Fechar as escolas, garantir que os pais tenham a remuneração para poderem ficar em casa, dar os apoios às empresas para passar as pessoas para teletrabalho e parar serviços não essenciais”, entre outros apelos, como “aumentar brutalmente a testagem”.

Também na publicação que escreveu no Facebook fala num “cenário de guerra”. Mais: “O cenário é de guerra e estamos a perder. Está na hora de dizer basta.” Conta: “Temos tantos doentes graves na casa dos 40, 50 e 60, muitos sem outras doenças, que simplesmente não podem morrer. Não podem! Assumem-se por isso prioridades.” E acrescenta: “É devastador ver equipas de médicos forçados a escolher quem são os doentes com maior probabilidade de viver para os poder assumir como prioritários.”

Nessa publicação enumera cinco medidas que considera urgentes: confinamento “absoluto”; mobilizar todos os meios de saúde; “comunicar de forma clara, transparente e diária com o país sobre a gravidade da situação”; e “ponderar novamente os riscos inerentes ao acto eleitoral de dia 24”; preparar “o momento em que se levantarão as medidas restritivas”, testar, identificar e isolar; “usar o facto de Portugal ter a presidência do Conselho da União Europeia para exigir uma renegociação das vacinas contra a covid-19 de modo a acelerar o ritmo de vacinação. Temos de vacinar 80% da população até Junho de 2021”.