Covid-19: mais dispersa pelo território, acima da média no Norte e Centro e com “aumento exponencial” desde 28 de Dezembro

A 5 de Janeiro as regiões Norte e Centro concentravam cerca de 61% do total de casos a nível nacional. Número mais elevado de sempre de novos casos a sete dias foi registado a 13 de Janeiro, com 61.273 novas infecções

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Portugal entrou esta sexta-feira num novo período de confinamento, para tentar travar o aumento de casos que tem ocorrido nas últimas semanas NELSON GARRIDO

A tendência global de diminuição do número de novos casos de covid-19 em Portugal, que se fazia sentir desde 18 de Novembro, terminou a 28 de Dezembro. A partir dessa data “é possível verificar um aumento exponencial do número de novos casos confirmados”, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) nos indicadores de contexto demográfico e da expressão territorial da pandemia covid-19 em Portugal, divulgados esta sexta-feira. A doença continua a afectar mais as regiões Norte e Centro, embora esteja cada vez menos concentrada em alguns territórios. Desde Março de 2020 que o número de óbitos no país é superior à média dos últimos cinco anos.

Quando, a 13 de Janeiro, se contabilizou o número de novos casos de covid-19 no país nos últimos sete dias, obteve-se o valor mais elevado de sempre — 61.273. Se se olhasse para o valor dos últimos 14 dias, ele também era ilustrativo de como a doença se estava a tornar mais presente entre os portugueses: nesse período, contabilizaram-se 104.128 novas infecções. A taxa de incidência a 14 dias era de 1011 (número de casos por cada 100 mil habitantes) e a forma como os casos se distribuíam pelo território era muito distinta. 

Os dados a nível municipal (de 5 de Janeiro, a última data em que foram actualizados) mostram que as regiões Norte e Centro, com 681 e 653 casos por cada cem mil habitantes, tinham “mais de metade (61%) do total de novos casos observados no país”, descreve o relatório do INE.

De facto, o documento revela que, se até 21 de Junho a covid-19 tinha uma maior propensão para estar concentrada em algumas regiões, desde aí essa característica dissipou-se. A doença espalhou-se de forma indiscriminada por todo o país. Contudo, isto não significa que ela se espalhou de forma idêntica por todo o lado, e a “elevada heterogeneidade territorial” continua a ser uma das características marcantes do seu retrato em Portugal. Os dados do INE demonstram que a 5 de Janeiro, 57 municípios apresentavam um número de novos casos confirmados nos últimos 14 dias que os colocavam dentro do patamar de risco “extremamente elevado”, o que significa que tinham mais de 960 casos por 100 mil habitantes. Destes, 19 eram na região Norte (mesmo que esta região apresentasse, à data, uma tendência de diminuição de novos casos) e 21 no Centro. Os restantes municípios nesta situação encontravam-se no Alentejo (14), em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve (um município em cada uma) e nos Açores (um município apenas).

Número de óbitos “superior ao período homólogo de referência” desde Março

Como seria de esperar, o modo como a covid-19 tem incidido mais ou menos em determinadas regiões do país teve também reflexos no número de óbitos registados. Os dados do INE agora divulgados (e com os dados de óbitos a serem encarados ainda como preliminares) indicam que “desde o início do mês de Março de 2020 que o número preliminar de óbitos para o total do país, aferidos às últimas quatro semanas, se mantém superior ao do período homólogo de referência (média para o mesmo período nos cinco anos anteriores)”. 

O valor mais elevado, com um número de óbitos 1,3 vezes superior ao do período de referência foi alcançado entre 6 de Julho e 2 de Agosto. Esse valor desceu para 1,2 nas quatro semanas entre 7 de Dezembro e 3 de Janeiro, mas as regiões Norte e Centro ultrapassaram essa percentagem, com 1,26 e 1,22, respectivamente.

Ainda assim, se se comparar este período com o de 2 a 29 de Março — que apanha o início da pandemia em Portugal — verifica-se que apenas a região do Algarve registou uma diminuição do rácio de óbitos. O INE explica que, entre 7 de Dezembro e 3 de Janeiro, dos 308 municípios portugueses, 225 tiveram “um número de óbitos [...] superior ao valor homólogo de referência”. Nesses municípios reside 85% da população e entre eles, 60 tiveram mesmo “um número de óbitos 1,5 vezes superior ao registado no período de referência”. Embora se encontrem espalhados por todo o território, nota-se uma clara concentração na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.