Um início de ano turbulento

Trump e os seus conselheiros esqueceram que quem semeia ventos, colhe tempestades.

A primeira semana do ano e da década começou de forma estrondosa: a terceira vaga da covid-19 espalha-se em força, atingindo-se novos recordes no número de novas infecções e obrigando, na Europa, diversos países – Reino Unido, Alemanha, e agora Portugal –, a implementar novos regimes de confinamento obrigatório geral relegando para segundo plano a grande esperança trazida pelo início da vacinação; as bolsas e as cripto-moedas continuaram a sua trajectória parabólica, com novos recordes; a semana ficou, porém, marcada para a História pela recusa de Trump em reconhecer que Biden ganhou a eleição presidencial, alegando fraude eleitoral, organizando e participando no comício inflamado “Salvar a América” a 6 de Janeiro em Washington onde claramente incentiva os seus apoiantes a não aceitar os resultados eleitorais e a caminhar até ao Capitólio para se oporem à certificação dos mesmos na sessão conjunta do Congresso presidida pelo seu próprio vice-presidente; apelo que culminou na “tomada” do Capitólio pelos apoiantes de Trump da qual resultaram cinco mortes, numerosos feridos e detenções e registos embaraçosos para os EUA. Manifestações de teor similar, por vezes com manifestantes armados, ocorreram em várias cidades e capitólios estaduais.