Bombeiros

Um “obrigado” a Luís Murça, o bombeiro mais antigo de Almada

© Carlos M. Almeida
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© Carlos M. Almeida

Luís Filipe Martins dos Santos Murça. Este é o nome do bombeiro mais antigo do concelho de Almada. “Vem de família", explica o comandante de 61 anos, natural de Cacilhas, ao jornalista e fotógrafo Carlos M. Almeida, que lhe dedicou a série de fotografias que partilha agora com o P3. Os irmãos também foram bombeiros, à semelhança do pai, que "começou desde o posto mais baixo até chegar a comandante", recorda o sexagenário. Luís, hoje chefe da corporação, deu os primeiros passos na profissão com apenas 11 anos, no antigo quartel de Cacilhas, no antigo Largo do Poço. "A única [pessoa do núcleo familiar] que não foi bombeira foi a minha mãe, mas mesmo assim muitas vezes trabalhou mais para a corporação do que muito bombeiros.”

A qualquer hora, de dia ou de noite, Luís "vai a todas", garantiu, em entrevista ao fotógrafo. E "todas" foram muitas, ao longo dos 50 anos que dedicou ao serviço dos almadenses em apuros. “Um bombeiro quando sai para uma ocorrência nunca vai para nada de bom", refere, recordando a sua presença no grande incêndio do Chiado, a 25 de Agosto de 1988, na grande explosão do petroleiro atracado na Lisnave, em 1991, ou mesmo, mais recentemente, nos grandes incêndios de Pedrógão Grande. Assume que o medo o acompanha em todas as missões, mas que nunca pensa no perigo na hora de agir. O medo, a valentia e o sentido de missão têm de andar de mãos dadas para ser possível realizar um bom trabalho. 

É com alguma tristeza que Luís Murça verifica um certo desapreço pela profissão de bombeiro, nos dias de hoje. "Os bombeiros deveriam ser considerados membros da família de todos os portugueses, mas infelizmente não é assim", desabafa. “Há pessoas que só se lembram de nós quando precisam. Não falo apenas de público em geral, mas também de entidades máximas.” Apesar dessa incúria, desse desapego do público e organismos, o percurso de Luís Murça destaca-se entre os demais. Recebeu, por isso, há 15 anos, a Medalha de Ouro da Cidade de Almada e, mais recentemente, o Crachá de Ouro, que é a maior distinção honorífica nos bombeiros – esta é, por norma, concedida a bombeiros fora do activo, com idade avançada, ou a título póstumo​. Além, claro, da homenagem de Carlos M. Almeida, que desenvolve, há 15 anos, a rubrica fotográfica Histórias Com Gente, que dedica a homens e mulheres das mais variadas profissões e pode ser conhecida na sua conta de Instagram​.

“Se voltasse aos 11 anos de idade fazia tudo de novo como bombeiro, sem olhar para trás", garantiu o bombeiro ao fotógrafo. Se forças lhe restarem, estará na linha da frente sempre que o chamarem. Mesmo depois da reforma, que não sabe quando chegará. Nesse incógnito dia, porém, sabe o que dirá aos seus camaradas: “Um abraço grande a todos, até logo, e sempre que precisem podem contar comigo”.

© Carlos M. Almeida
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