Um filme chamado Dornes: “deslumbrante e inesquecível”

Em criança, o leitor José Vieira Mendes visitou a bela Dornes de Ferreira do Zêzere. Agora revisitou-a e conta o passeio por esta terra de 22 habitantes que “tem algo de místico”.

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Dornes
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Dornes em dias de Verão José Vieira Mendes
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Dornes em dias de Verão José Vieira Mendes
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Dornes José Vieira Mendes
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Dornes José Vieira Mendes
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Dornes José Vieira Mendes

A primeira vez que fui a Dornes era criança e foi num passeio com os meus pais e o meu irmão, os dois sempre a questionar "ainda falta muito”, porque na verdade a viagem foi longa, para a impaciência de duas crianças. Ficou muito pouco na minha memória e durante anos não voltei ao centro do país.

Entretanto, lembro-me de voltar a ver na televisão Dornes como um dos locais nomeados para o concurso Maravilhas de Portugal. Mas foram as localizações do filme Dot.com, do Luís Galvão Teles (2007), uma divertida comédia, que foi rodada na aldeia — uma “guerra” com uma empresa espanhola por causa de um domínio na Internet, que acaba de uma forma romântica — que me fez viajar novamente até Dornes, uma jornada que foi sendo consecutivamente adiada ao longo de anos.

A pandemia também trouxe algo de positivo (#visitaportugal); meti-me no carro e passei um dia em Dornes, no último Verão. Além de proporcionar excelentes tomadas de vista para um fotógrafo ou um cineasta, Dornes é de facto uma aldeia muito diferente das outras, quanto mais não seja pela sua localização. Fica num lugar improvável, uma península, que ao longe parece uma ilha, plantada nas águas calmas do rio Zêzere, localizada na linha limite entre a Beira Baixa e o Ribatejo.

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Dornes em dias de Verão Dornes em dias de Verão

Devido não só à sua beleza, mas ao seu isolamento, tem algo de místico, sabendo que foi igualmente domínio dos esotéricos Cavaleiros Templários. Os acessos ainda hoje não são fáceis, mesmo com o GPS: o itinerário principal toma-se como referência — seja do Norte ou do Sul —, a cidade de Tomar e depois Ferreira do Zêzere; depois toma-se a Estrada M251, uma via que à chegada percorre uma demorada curva que anuncia a bela península, antes de uma descida.

Se viermos de leste (Ferreira do Zêzere), vimos em frente um cruzeiro numa estrada secundária, e seguimos pela esquerda, direitos a um cenário cinematográfico e inesperado, de uma longa língua de terra, que entra pelo rio adentro, com poucas casas, ruas empedradas e poucas pessoas.

Subindo está uma torre e uma igreja; a descer uma minimarina, uma praia fluvial, e um cemitério grande de mais, talvez, para a dimensão desta aldeia. E depois uma rua que nos leva à beirinha da água para observar o azul do rio e o verde da serra.

Dornes é habitada por pouco mais de duas dezenas de pessoas e de facto vê-se num dia, mesmo para quem queira aproveitar algum dos passeios fluviais. Por causa da sua beleza, tem-se tornado um maravilhoso refúgio para os citadinos, que procurem escapar ao excesso de stress e ao bulício da cidade, para descansar ou praticar vários desportos náuticos, bastante acessíveis inclusive através do aluguer.

A luz que combina, as cores da pedra, do rio e da serra é deslumbrante e inesquecível. 

José Vieira Mendes