Exportações de bens ficaram mais perto dos níveis pré-pandemia em Novembro

Exportações de bens retomaram tendência de retoma em Novembro, ao mesmo tempo que as importações voltaram a acentuar o ritmo de descida.

Foto
Nelson Garrido

Depois da queda abrupta registada durante a Primavera e o Verão passados, as exportações portuguesas de bens registaram, durante o passado mês de Novembro, um valor muito próximo do verificado em igual período do ano anterior, retomando, depois de uma interrupção em Outubro, a tendência de regresso progressivo à normalidade deste indicador.

De acordo com os dados do comércio internacional publicados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações de bens em Novembro ficaram 0,4% abaixo das verificadas no mesmo mês de 2019. Em Outubro, a variação homóloga deste indicador tinha sido de -2,3% e em Setembro de 0,2%.

As exportações de bens portuguesas caíram de forma muito acentuada a partir de Março, tendo atingido, logo no mês de Abril, uma queda de 41,3% em termos homólogos.

A retoma começou a ser feita a partir de Outubro, à medida que, um pouco por todo o mundo, foram sendo retiradas as medidas mais apertadas de confinamento, parecendo agora ser possível que as exportações possam voltar brevemente aos níveis que se registavam antes da pandemia.

A pesar negativamente neste indicador em Novembro estiveram as exportações de combustíveis, que caíram 42,9%. Aliás, se se retirar este produto dos cálculos, a variação homóloga das exportações de bens já está, em Novembro, em terreno positivo.

De notar, contudo, que os dados agora publicados pelo INE são apenas referentes a bens, não incluindo as exportações de serviços que têm vindo a sentir um impacto negativo mais prolongado no que diz respeito à prestação de serviços de turismo. O turismo contribuiu, nos últimos anos, de forma muito significativa para o desempenho muito positivo das exportações portuguesas, mas está agora a ser um dos sectores mais prejudicados pela pandemia, sendo ainda pouco claro quando é que se poderá registar um regresso completo à normalidade.

Do lado das importações de bens, uma variação homóloga negativa mais acentuada mantém-se, tendo-se mesmo acentuado no mês de Novembro. De acordo com o INE, as importações caíram 12,1% face ao mesmo mês do ano anterior, depois de descidas de 8,7% em Setembro e de 11,4% em Outubro.

Este novo recuo das importações, que em Agosto e Setembro tinham mostrado uma melhoria, são um sinal da contracção que se deverá estar a registar no consumo devido ao agravamento, no final de 2020, das medidas de confinamento.

A combinação desta melhoria das exportações com o acentuar da quebra das importações conduziu, como seria de esperar, a uma diminuição do défice comercial de bens, que em Novembro foi de 888 milhões de euros, quando em Outubro tinha sido de 999 milhões e em Novembro de 2019 de 1708 milhões.

A melhoria deste saldo, contudo, pode não chegar para compensar a deterioração a que se tem assistido na balança comercial ao nível dos serviços, que está a ser afectada pela diminuição muito acentuada das receitas do sector do turismo.