A arte de atirar areia para os olhos – um caso prático

É verdade que ao governo compete “escolher os candidatos”, mas não lhe competia – de todo – impor um candidato específico através de um bricabraque de manhas, manipulações e aldrabices.

Há que agradecer a António Cluny a publicação do artigo “O caso do procurador europeu entre o escândalo e a ironia do destino”. Porque há, de facto, muita ironia no facto de uma defesa assolapada da ministra da Justiça apenas servir para agravar aquilo que já sabíamos deste caso. Antes do artigo de Cluny, eu achava que a nomeação de José Guerra era uma vergonha que apenas dizia respeito ao governo e à ministra. Depois do artigo de Cluny, descobri que é uma vergonha que também diz respeito ao Ministério Público e ao lobby da Eurojust. Não se pode dizer que tenha ficado mais descansado – mas, pelo menos, fiquei mais esclarecido.